Estudantes chilenos entregam carta de demandas ao presidente

Líderes estudantis chilenos entregaram nesta terça-feira ao presidente Sebastián Piñera uma carta com 12 pontos que incluem suas demandas sobre o fortalecimento da educação pública. Os estudantes pedem que Piñera se pronuncie sobre as exigências.

"É uma interpelação ao presidente da República", disse à imprensa Camila Vallejo, que junto a Giorgio Jackson - os líderes mais visíveis do movimento estudantil - entregou a missiva no palácio presidencial de La Moneda.

Entre suas petições, destaca a eliminação dos bancos privados no sistema de créditos para financiar a educação superior, o fim da obtenção de lucros por parte das universidades privadas - proibido por lei, mas burlado através de brechas - e garantir a qualidade da educação pública.

"Acreditamos que para tornar o debate transparente, nessa discussão sobre a mudança de paradigmas, queremos saber se ele (Piñera) realmente terá vontade de entender a educação como um direito social universal e não como um bem de consumo", explicou Vallejo.

Em resposta à carta, o ministro da Educação, Felipe Bulnes, declarou mais tarde que não é hora de atitudes desafiantes "nem de cartas", e lembrou que já respondeu às demandas estudantis através de três propostas, que introduzem mudanças no atual sistema, mas não uma refundação deste como exigido pelos estudantes.

"São vários temas que foram respondidos claramente pelo governo, e portanto é fundamental que as propostas feitas pelo governo sejam revisadas e sejam enviadas ao Congresso", declarou Bulnes.

Os estudantes rejeitaram todas as propostas do governo por considerá-las "insuficientes", somando já quase três meses de mobilizações para exigir um sistema de educação gratuito e de qualidade para todos aqueles que não possam pagar.