Rebeldes e tropas de Kadhafi lutam por Trípoli

Os rebeldes anunciaram nesta segunda-feira a queda do coronel Muammar Kadhafi, após tomar a maior parte da capital líbia, mas as forças do regime ainda resistem em alguns bairros de Trípoli.

O líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafah Abdelkhalil, anunciou o fim do regime, mas admitiu que alguns setores da capital ainda não estão sob controle dos insurgentes, incluindo o bairro de Bab al-Aziziya, local do quartel-residência de Kadhafi.

Os rebeldes anunciaram ainda, no domingo, a prisão de Seif Al Islam e de Mohamed Kadhafi, dois filhos do líder líbio, mas a informação foi desmentida na madrugada desta terça-feira.

Seif Al Islam apareceu em Bab al-Aziziya para garantir aos jornalistas que Trípoli está "sob o controle" do regime, enquanto a "fuga" de Mohamed Kadhafi foi admitida por um dirigente rebelde.

"Trípoli esta sob nosso controle. Todo mundo pode ficar tranquilo. Tudo está bem em Trípoli", disse Seif Al Islam aos jornalistas no quartel-residência em Bab al-Aziziya.

"O Ocidente dispõe de alta tecnologia e tem perturbado as telecomunicações e enviado mensagens ao povo" para informar a queda do regime. "Esta é uma guerra tecnológica e midiática para provocar caos e terror na Líbia", prosseguiu o filho de Kadhafi.

Seif Al Islam afirmou ainda que as forças leais ao regime infligiram "elevadas perdas hoje (segunda-feira) aos rebeldes que assaltavam" a residência-quartel de Bab al-Aziziya.

Uma fonte diplomática que pediu anonimato afirmou que Kadhafi ainda está no quartel-residência de Bab al-Aziziya.

Os rebeldes entraram em Trípoli na noite de sábado, e já controlam a Praça Verde - lugar simbólico no qual os partidários do regime costumavam se reunir - e a sede da televisão estatal, que não transmitiu sua programação diária, mas as forças leais a Kadhafi ainda resistem em alguns bairros, incluindo Tajura, Suq-Joma e Fashlom.

Segundo o Centro de Imprensa dos rebeldes, reforços estão chegando a Trípoli por mar a partir da cidade de Misrata, 200 km a leste, para garantir a tomada da capital.

"Vários navios chegaram a nossa bem amada capital Trípoli a partir de Misrata, levando a bordo grande número de combatentes e munição", revelou o Centro de Imprensa do Conselho Militar de Misrata.

Um membro do Centro de Imprensa confirmou à chegada a Trípoli de "mais de 500 combatentes de Misrata por mar", que se somam aos 200 homens procedentes de Misrata que entraram em Trípoli por mar no domingo.

O presidente americano, Barack Obama, e membros da União Europeia já dão como certa a queda de Kadhafi e prometeram ajudar o futuro governo líbio.

"O regime de Kadhafi está chegando ao fim. O futuro da Líbia está nas mãos de seu povo", declarou Obama na ilha de Martha''s Vineyard (Massachusetts, nordeste dos EUA), onde passa férias por alguns dias com a família.

O presidente destacou que Muamar Kadhafi "ainda tem a possibilidade de impedir um novo banho de sangue, ao renunciar espontaneamente ao poder (...) e pedindo às forças que continuam a se enfrentar que deixem suas armas".

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o regime líbio está em "plena retirada" e que Kadhafi deve abandonar qualquer esperança de permanecer no poder.

A China anunciou que respeita a decisão do povo líbio e espera que a estabilidade retorne rapidamente à Líbia.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, se declarou "totalmente solidário" com o governo rebelde na Líbia; e o Egito reconheceu o órgão político dos rebeldes como o governo legítimo líbio.

A queda de Trípoli ocorre mais de seis meses depois do início dos protestos populares contra Kadhafi no contexto da "Primavera Árabe", que já derrubou os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da Tunísia, Ben Ali.