Acusações contra Strauss-Kahn serão retiradas, dizem advogados

Os promotores concordaram em retirar as acusações de estupro contra o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn, afirmaram seus advogados nesta segunda-feira.

O comunicado surgiu depois de fontes próximas ao caso terem informado à AFP que os promotores entraram com uma moção pedindo ao juiz que desconsidere as acusações feitas pela camareira africana de 32 anos Nafissatou Diallo.

Os advogados de Strauss-Kahn disseram que o ex-político francês estava "muito grato" após os promotores de Nova York terem concluído que "este caso não pode continuar".

"Dissemos desde o início deste caso que nosso cliente era inocente", afirmaram os advogados William Taylor e Benjamin Brafman.

O anúncio ocorreu depois que a agora famosa camareira de Nova York e seus advogados se reuniram com o promotor de Manhattan, Cyrus Vance, em meio a um frenesi da imprensa.

O advogado de Diallo, Kenneth Thompson, afirmou após a reunião que a retirada das acusações significa que "uma negação ao direito de uma mulher obter Justiça em um caso de estupro".

Vance, segundo ele, "virou as costas" para as provas forenses, médicas e outras evidências físicas no caso contra Strauss-Kahn.

"Se o promotor de Manhattan, que é eleito para proteger nossas mães, filhas, irmãs, mulheres e nossos entes queridos, não as defende quando são vítimas de estupro ou abusadas sexualmente, quem irá defendê-las?", questionou Thompson.

Vestindo calças pretas e uma jaqueta bege, Diallo, que afirma que Strauss-Kahn a obrigou a realizar sexo oral e tentou estuprá-la, chegou para a reunião protegida de diversos guarda-costas diante de centenas de jornalistas e curiosos.

A camareira, acompanhada de Thompson, chegou ao tribunal depois de ser convocada para uma reunião com a equipe de Vance, que já tinha tornado públicas suas dúvidas em relação à veracidade das declarações da mulher e sua confiabilidade como testemunha.

Thompson disse à AFP mais cedo que ainda esperava que a Justiça "ficasse do lado de Diallo", mas é cada vez mais provável que os promotores aproveitem uma audiência marcada para quinta-feira para pedir que o juiz retire formalmente as acusações.

Se isso ocorrer, Strauss-Kahn será libertado e poderá retornar à França, onde sua prisão em Nova York causou um alvoroço político.

O caso ganhou atenção internacional depois que Diallo acusou o chefe de FMI de estupro enquanto ela limpava um quarto de hotel três meses atrás.

Strauss-Kahn não apenas teve de abandonar o cargo de chefe do FMI após sua prisão, como teve de abandonar a disputa presidencial contra o presidente Nicolas Sarkozy nas próximas eleições.