Milhares de peregrinos chegam a Madri para a Jornada Mundial da Juventude 

Por terra, mar e ar, dezenas de milhares de peregrinos de todo o mundo começaram a desembarcar em Madri, para participar, a partir desta terça-feira, da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), junto com o Papa Bento XVI, que se unirá à celebração na próxima quinta-feira.

De avião, ônibus, e até de navio até alguns portos espanhóis e, daí, por estrada, 450.000 jovens estão chegando à capital espanhola entre esta segunda-feira e amanhã, terça, primeiro grande dia da JMJ que será encerrada com uma grande missa de boas-vindas, em 21 de agosto, na praça Cibeles, no centro de Madri.

"É uma experiência única encontrar-se com gente de todo o mundo, além de conhecer o país, junto com a Europa em geral, e poder compartilhar um mesmo pensamento, o de sermos católicos", disse à AFP Daniel Borba Zanelatto, um brasileiro de 15 anos, ao desembarcar no aeroporto madrilenho.

Ele é um dos milhares de peregrinos que chegam, desejando passar uma semana de convivência com jovens católicos de 193 países, muitos dos quais já estão há uma semana distribuídos por diferentes aldeias e cidades espanholas.

"É uma experiência muito bonita, muito positiva. Estamos cansados, mas com muita vontade de ver o papa", disse à AFP, María Méndez, de 37 anos, que chegou à capital espanhola com 50 amigos dominicanos.

Em Barcelona, ela participou, domingo, de missa celebrada no Fórum da capital catalã, junto ao mar, enquanto que em outras cidades também houve excursões e procissões.

Embora haja 450.000 peregrinos inscritos oficialmente para a JMJ, os organizadores estimam que este número de participantes vai se multiplicar por três para o evento, que terá como pontos fortes uma Via-Crúcis pelo centro de Madri e uma vigília com o papa.

"Estou contente de visitar a Espanha, nesta oportunidade de celebrar minha fé com outros que a compartilham", disse Mauro Prieto, um estudante de engenharia brasileiro.

Vestido com uma camiseta amarela e verde, junto a um grupo de 30 pessoas, vai se hospedar num dos colégios de Madri, previstos para acolher os peregrinos, entre eles o de El Recuerdo, uma instituição jesuíta madrilena, que receberá 3.000 jovens de 50 países.

"Isto requer uma logística importante porque 3.000 pessoas tomando banho é algo muito complicado", disse Alvaro Paternina, um peregrino de 21 anos que estudou no colégio e ajuda na organização.

"É uma mistura de culturas muito grande, uma experiência enriquecedora", destaca Emmanuelle Callies, uma estudante francesa de geografia de 20 anos, que se instalou no ginásio polidesportivo do colégio, onde vão dormir entre 300 e 400 menicas e onde foram instalados 40 chuveiros numa parte da garagem.

À tarde, assistirão missa ao ar livre no pátio do colégio, onde foram instaladas 3.000 cadeiras e um altar.

"Nos preparamos há três anos em nível espiritual e financeiro", acrescentou o padre Adérito Rodrigues, de 28 anos, que lidera um grupo procedente de Cabo Verde.

Os organizadores da Jornada insistiram no autofinanciamento do evento, calculando que proporcionará lucro de 100 milhões de euros à economia espanhola, mas ainda assim, há críticas ao custo das celebrações, calculado em 50,5 milhões de euros. Na véspera da chegada do papa, grupos opostos à realiação da JMJ vão fazer uma manifestação contra.

Para Bento XVI, a viagem é a segunda que faz à Espanha em nove meses e a terceira desde que assumiu a chefia da Igreja Católica. A iniciativa foi criada por João Paulo II em 1986 e já foi celebrada, em 1989, em Santiago de Compostela (noroeste).