Iraque tem dia mais violento do ano, com 74 mortos

KUT - Vários atentados deixaram ao menos 74 mortos e 300 feridos no Iraque nesta segunda-feira, no dia mais sangrento desde o início do ano, quando o Exército americano negocia a manutenção de um contingente depois da retirada do final de 2011.

Na primeira hora da manhã, a violência atingiu as cidades de Kut, Tikrit, Bagdá, Taji, Nayaf, Kirkuk, Ramadi, Kerbala, Khan Beni Saad, Iskandariya, Mosul, Balad e várias localidades da província de Diyala, incluindo Baquba.

Os atentados não foram reivindicados até o momento.

À noite, oito homens armados e vestidos com uniformes do Exército irromperam em uma mesquita de Yusufiya (25 km ao sul de Bagdá) e chamaram sete membros da milícia anti-Al Qaida Sahwa. Posteriormente, apresentaram-se como membros do "Estado islâmico do Iraque", executaram os homens e fugiram.

O registro de vítimas dessa série de atentados, segundo os cálculos da AFP a partir de informações oficiais, é o maior registrado em um só dia desde 10 de maio de 2010, quando dezenas de ataques realizados em conjunto no território iraquiano provocaram mais de 110 mortos e 500 feridos.

"Matar iraquianos durante este mês (do Ramadã) mostra que aqueles que cometeram (os crimes) não têm nem religião nem senso de comunidade", afirmou o primeiro-ministro Nuri al-Maliki em um comunicado, afirmando que os autores "não ficarão impunes".

A ONU também condenou os ataques e pediu que o povo iraquiano rejeite a violência e que os políticos trabalhem em favor "da paz, do diálogo nacional e da reconciliação", segundo um porta-voz do secretário-geral Ban Ki-moon.

O ataque mais violento desta segunda-feira aconteceu em Kut, 160 km a sudeste de Bagdá. Dois atentados deixaram 40 mortos e 65 feridos na cidade, segundo um registro de fontes médicas.

Nos atentados de Kut, duas explosões aconteceram por volta das 08h00 (02h00 de Brasília) em uma área muito movimentada do centro da localidade, uma cidade de 400.000 habitantes, segundo a polícia. Um carro-bomba e uma bomba deixada na beira da estrada foram detonados de forma quase simultânea.

Em Najaf (150 km ao sul de Bagdá), dois carros-bomba explodiram perto de uma delegacia e deixaram sete mortos e 60 feridos, a maioria policiais, segundo um porta-voz do Departamento de Saúde.

Dois homens-bomba detonaram explosivos durante a madrugada na delegacia antiterrorista de Tikrit, cidade do ex-presidente Saddam Hussein (160 km ao norte de Bagdá) e mataram três policiais, indicou um oficial do Exército iraquiano em Tikrit. Sete pessoas ficaram feridas.

Quatro soldados morreram no centro de Baaquba (60 km ao norte de Bagdá) quando homens armados abriram fogo contra um posto de controle, indicou Firas al-Dalaimi, médico do principal hospital da cidade.

Em Kirkuk (norte), um civil morreu e 14 ficaram feridos em várias explosões, uma das quais provocada por uma moto-bomba, indicou a polícia e um médico do hospital.

Outros ataques com bombas também deixaram mortos em Bagdá, Ramadi, Balad, Khan Beni Saad, Mossul, Taji, Iskandariya e Kerbala.

Esta série de atentados ocorre em um momento em que as principais forças políticas iraquianas acabam de fechar um acordo para autorizar o governo a negociar com os Estados Unidos para que mantenha um contingente limitado de soldados americanos no país depois do fim de 2011, data limite na qual os 47.000 soldados americanos ainda em solo iraquiano devem deixar o país.

A Casa Branca disse nesta segunda-feira que "consideraria" qualquer pedido do Iraque para que a presença das tropas americanas se mantivesse depois de 2011 nesse país.