Familiares de vítimas do 11 de setembro mantêm lembranças vivas

No próximo dia 11 de setembro, completam-se 10 anos da maior tragédia na história dos Estados Unidos. Os ataques terroristas de 2001 deixaram 2.753 mortos e hoje, embora o autor dos ataques, Osama Bin Laden, esteja morto, as lembranças e a dor de muitas famílias seguem presentes.

Terry Rockefeller, membro da associação de familiares de vítimas "September 11th Families for Peaceful Tomorrows", lembra cada detalhe da morte da irmã, Laura. "O 11 de setembro foi uma terça-feira e eu havia falado com ela no domingo, ela me disse que estava trabalhando em Nova York, mas que na quarta-feira planejava me visitar em Massachusetts", disse Rockefeller. "Foi duplamente impactante porque eu havia visto os ataques pela televisão por várias horas, sem ter nenhuma ideia de que alguém que eu conhecia, alguém tão próximo de mim, havia morrido", afirmou ela.

"Quando eu soube dos ataques, liguei para a casa dela mas não a encontrei, e realmente não me preocupei muito. Mais tarde, amigos dela me ligaram porque sabiam que ela estaria no World Trade Center, apenas por dois dias, era um trabalho temporário. Ela era atriz e cantora, e estava trabalhando durante o dia para juntar mais dinheiro e pagar o aluguel", disse Terry Rockefeller.

Laura havia completado os estudos no departamento de música da Universidade de Syracuse, em Nova York. A irmã a descreveu como uma jovem de "voz bonita e clara". Ela era soprano, mas eventualmente precisava fazer trabalhos temporários para pagar suas contas. Em 11 de setembro de 2001, Laura deixou seu apartamento no oeste de Manhattan por volta das 6h locais para realizar um trabalho de dois dias no 106º andar de uma das Torres Gêmeas. Ela seria auxiliar em uma conferência de avaliação de riscos e tecnologia.

Rockefeller disse que seus pais nunca superaram a perda, e que foi muito difícil para eles organizar uma cerimônia de velório, pois os dois já eram muito velhos. O pai morreu um ano e meio depois, e Terry cuidou e consolou sua mãe pela perda de Laura.

Mas Terry não foi a única que foi pega de surpresa pela morte de um parente nos ataques. O atual vice-presidente da associação "Families of Flight 93", Patrick White, viveu uma situação semelhante. O primo dele, Joseph Louis Nacke, também morreu no 11 de setembro, mas a bordo do voo 93, que decolou do Aeroporto Internacional de Newark em direção a São Francisco, mas caiu no meio do caminho, em Shanksville, na Pensilvânia, após uma briga entre passageiros e sequestradores. Ao todo, 44 pessoas morreram - 38 passageiros, quatro comissários de bordo e dois pilotos.

"Todos na família o chamavam de 'Joey' quando estava crescendo. Ele era quase como um irmão para mim. A viagem de negócios foi de última hora, ele fez as reservas na noite anterior", disse White. Assim que ele ouviu a notícia dos ataques, pediu que sua secretária contatasse Nacke, mas ela não teve sucesso.

"Minha mulher e eu fomos abençoados com um bebê, e por causa do meu primo chamamos ele de Joseph. Todos os dias eu faço algo em nome da criação dessa lembrança. Eu reconheço o esforço do meu primo e dos outros 39 passageiros e membros da tripulação (para evitar uma tragédia maior)", afirmou White.

Familiares de vítimas do voo 93 trabalham na criação de um monumento. E White promete que eles continuarão com esse projeto até a conclusão. A primeira fase deve estar pronta até setembro deste ano. Depois, será construído um centro educacional e outras melhorias.

"Nosso compromisso é criar um monumento para todas as pessoas que amam a liberdade ao redor do mundo, para as pessoas que escolhem a democracia, e que agem para enfrentar o mal e o terror", disse Patrick White.