Atirador parecia ter saído de filme nazista, diz sobrevivente

Um jovem de 21 anos que trabalhava na organização do acampamento na ilha de Utoya, na Noruega, descreveu os momentos de terror que viveu na última sexta-feira, quando um atirador matou ao menos 86 pessoas. Adrian Pracon disse que, para se salvar, ele fingiu estar morto após ser atingido por um tiro no ombro, segundo a AFP. Pracon concedeu entrevista no hospital Ringerike, onde está internado, na cidade de Hoenefoss.

Adrian Pracon disse à agência German Press que "tudo começou com a explosão em Oslo". "(No acampamento,) nós nos reunimos em uma grande sala para informar a todos sobre o que havia acontecido. Haviam nos informado que policiais estavam fazendo patrulhas, então pensamos que seria bom ter policiais na ilha - até que um policial começou a atirar nas pessoas", disse o jovem sobre o agressor, Anders Behring Breivik, que vestia roupas da polícia durante o ataque. "Todos correram e tentaram nadar para fugir", afirmou Pracon.

O jovem disse que, depois de ser ferido no ombro, ele tentou fugir da ilha nadando. "Eu nadei por 100 metros e comecei a perder o fôlego, então tive que voltar, e mal consegui. Quando voltei, ele estava parado lá, com a arma apontada para a minha cabeça. Eu implorei para que ele não puxasse o gatilho - e ele não puxou", afirmou Pracon. "Eu o vi três vezes. Ele estava muito calmo, relaxado, controlado. Acho que ele não estava dando muita importância para aquilo. Ele caminhava devagar e parecia alguém que eu veria em um filme representando nazistas", disse o rapaz.

"Acredito que eu tinha um anjo da guarda me cuidando. Eu tenho muita, muita sorte de estar vivo", afirmou Adrian Pracon. "Mas eu não posso comemorar a minha sorte por causa de todas as pessoas que perderam suas vidas", disse ele.

Tragédia na Noruega

A Noruega viveu na última sexta-feira, dia 22, a maior tragédia do país desde a Segunda Guerra Mundial. Dois atentados deixaram, até o momento, um saldo de 93 mortos. Primeiro, uma bomba explodiu no centro da capital, Oslo, na região onde estão localizados vários prédios governamentais, inclusive o escritório do premiê, Jens Stoltenber. Sete pessoas morreram, mas a polícia admite possa haver corpos não resgatados nos prédios.

A segunda tragédia aconteceu em uma ilha próxima da capital, Utoya. Lá, Anders Behring Breivik, um homem de 32 anos vestido com uniforme da polícia, abriu fogo contra jovens reunidos em um acampamento de verão. Ao menos 86 morreram, a maioria pelos tiros disparados. Alguns outros morreram afogados após tentarem fugir nadando. Ele foi detido logo depois pela polícia e admitiu o crime. O atirador - que é ligado à extrema-direita - também tem envolvimento no ataque em Oslo.