Após décadas, nazistas seguem na mira da justiça; veja lista

Um tribunal de Budapeste, na Hungria, absolveu na última segunda-feira, dia 17 de julho, o nazista húngaro Sandor Kepiro, 97 anos. Ele era suspeito de cumplicidade na execução de mais de 30 sérvios e judeus na Sérvia, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, Sandor Kepiro foi condenado a dez anos de prisão por um tribunal militar, mas as autoridades da época anularam a decisão. Em 1946, um tribunal do regime comunista o condenou à revelia a 14 anos de prisão. Contudo, ele jamais pagou pena alguma por ter fugido para a Argentina e permanecido no país sul-americano até 1996.

Kepiro era considerado o fugitivo nazista mais procurado pelo Centro Simon Wiesenthal, organização internacional de direitos humanos, que traça o destino dos envolvidos no Holocausto

Kepiro é o mais recente caso de oficiais nazistas que foram a julgamento nos últimos anos. Confira mais suspeitos de envolvimento no Holocausto que ainda são procurados, foram condenados ou morreram recentemente.

Milivoj Asner

Após Kepiro, o ex-chefe da polícia croata Milivoj Asner é o fugitivo nazista mais procurado pelo Centro Simon Wiesethal após Kepiro. Ele é acusado de participação ativa na deportação de sérvios, judeus e ciganos durante a Segunda Guerra Mundial. As autoridades da Áustria, onde vive, se recusam a extraditá-lo para a Croácia.

Klaas Faber

Em 11 maio de 2011, a Alemanha negou o pedido de extradição feito pela Holanda para o holandês de origem alemã Klaas Carel Faber, 89 anos. Faber é o número três na lista do Centro Wiesenthal. Ele foi condenado à morte pela Holanda em 1947 pela execução de 22 judeus, mas a pena foi comutada por prisão perpétua. Contudo, em 1952, ele escapou da prisão holandesa onde cumpria a pena por matar prisioneiros judeus num campo de trânsito nazista Ele integrou um comando da SS nazista na guerra. As leis alemãs impedem que o país extradite cidadãos do país por crimes de guerra.

John Demjanjuk

No dia 12 de maio de 2011, um tribunal da Alemanha libertou da prisão John Demjanjuk, 91 anos. O ex-guarda nazista do campo de extermínio de Sobibor havia sido condenado a cinco anos de prisão pelo seu envolvimento no assassinato de 27,9 mil judeus naquele campo durante a Segunda Guerra Mundial. A justiça alemã alegou que Demjanjuk não era mais perigoso e não podia deixar o país, uma vez que é considerado apátrida e não possuía documento de identidade.

Samuel Kunz

Em 18 de novembro de 2010, Samuel Kunz morreu em Bonn, na Alemanha. Ele era na época o terceiro criminoso nazista mais procurado pelo Centro Simon Wiesenthal. Kunz era procurado pela sua participação pelo assassinatos de presos judeus no campo de Belzec, na Polônia, onde trabalhou como guarda entre janeiro de 1942 e julho de 1943.

Michael Seifert

Em novembro de 2010, morreu em Roma, na Itália, o ex-cabo da SS nazista Michael Seifert, conhecido como "A Besta de Bolzano". Seifert estava cumprindo pena de prisão perpétua desde 2008 após ser extraditado pelo Canadá, onde vivia desde 1951. Ele foi condenado em 2002 pelo assassinato de onze prisioneiros e por empregar tortura no campo de concentração nazista de Bolzano, onde era comandante.

Heinrich Boere

Em março de 2010, um tribunal da cidade alemã de Aachen condenou à prisão perpétua um antigo membro da SS nazista. Heinrich Boere, 89 anos, foi considerado culpado por um triplo assassinato cometido na cidade holandesa de Breda durante a Segunda Guerra Mundial.

Josef Scheungraber

Em 11 de agosto de 2009, a Justiça de Munique condenou à prisão perpétua Josef Scheungraber, então com 90 anos, acusado de ser responsável pelo massacre de 14 civis italianos na região da Toscana, em 1944. Scheungraber, que era chefe de companhia do esquadrão de montanha 818, foi declarado culpado pelas mortes desses civis, por se considerar provado que foi ele quem deu a ordem de realizar a ação de castigo. Ele já havia sido condenado à revelia em 2006 na Itália, mas a legislação alemã impediu sua extradição.

Josias Kumpf

Em outubro de 2009, Josias Kumpf morreu aos 84 anos em Viena, na Áustria. Ex-guarda de campos de concentração nazistas, ele era acusado de ter participação no massacre de 8 mil judeus. Kumpf chegou à Áustria após ser expulso em março do mesmo ano pelos Estados Unidos, onde morava e gozava da cidadania americana desde 1964. A justiça austríaca se recusou a julgá-lo, devido a uma lei que estipula a prescrição dos crimes cometidos por menores de 20 anos na época.