Prossegue a ocupação da praça Tahrir, apesar da reforma ministerial egípcia

Centenas de pessoas se encontram ainda reunidas na praça Tahrir, centro do Cairo, um dia depois da reforma ministerial que não convenceu os manifestantes para colocar fim à ocupação desse local simbólico.

"Esperávamos um governo que expressasse nossas petições e as aplicasse", declarou o xeque Mazhar Shabeen, que dirige todas as sextas-feiras a tradicional oração muçulmana neste grande espaço de manifestação no centro da cidade.

"Mas, por uma razão que ignoramos, insistem em nos impor membros do antigo regime", lamentou, falando ante os manifestantes.

Um novo gabinete tomou posse na quinta-feira no Egito, com novos ministros das Relações Exteriores e Finanças, que antes eram cargos ocupados por figuras questionadas pelos manifestantes devido à proximidade com o antigo regime de Hosni Mubarak.

Dez ministros foram mantidos em seus cargos e quinze novos entraram no governo do primeiro-ministro Esam Sharaf.

A cerimônia de posse foi realizada na presença do marechal Hussein Tantaui, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, cargo que dirige desde a queda de Mubarak no dia 11 de fevereiro.

A remodelação foi feita sob pressão dos manifestantes que acompanham há duas semanas na praça Tahrir para exigir a saída de pessoas ligadas ao antigo regime e mais reformas.

Os manifestantes denunciam também a lentidão da justiça para tratar de casos de ex-funcionários de Mubarak e acusam o exército de perpetuar métodos repressivos.

Os manifestantes convocaram um novo protesto para esta sexta-feira - chamada de "sexta-feira decisiva" - na praça que se tornou um símbolo da rebelião que derrubou Mubarak, que estava no poder a três décadas.

Os islamitas por sua vez, convocaram manifestações neste mesmo dia "pela estabilidade".

Sharaf foi nomeado primeiro-ministro em março. Seu prestigio inicial entre os jovens rebeldes tem diminuído nos últimos meses pelo pouco poder que tem sobre o exército e pela demora de para iniciar as reformas.

O governo de transição deve permanecer nas funções até as eleições previstas para o próximo outono boreal.