A Grécia vive o drama da fuga de cérebros

ATHENES, Grécia, 21 Jul 2011 (AFP) -Como muitos jovens, Ioanna Giannopoulou fez as malas e partiu para a França. Com mestrado em informática, ela penou durante meses para encontrar um posto de trabalho decente na Grécia e não recebeu senão propostas de estágio, com salário de 500 euros por mês.

No momento em que chega ao parlamento um projeto de reforma universitária, tentando adaptar o sistema ao mercado de trabalho, são mais e mais numerosos os jovens gregos diplomados, como Ioanna, que tentam uma chance no exterior, sob o efeito da crise da dívida no país.

A oferta feita por uma empresa de telecomunicações, em Paris, foi considerada bem mais gratifiante para a jovem, de 23 anos.

Sua família ficou muito perturbada com a decisão. A mais velha, Evgenia, doutoranda em bioinformática, é pesquisadora há dois anos na universidade Cornell, instalada nos Estados Unidos.

Segundo o professor Lois Lambrianidis, economista e geógrafo da Universidade de Salônica, 9% dos jovens diplomados gregos foram trabalhar no exterior, a partir de fevereiro de 2010, e "nos últimos meses, as saídas se aceleraram".

Como na Irlanda ou em Portugal, as futuras elites gregas fogem do país: 51% dos diplomados com doutorado preferem ir para o exterior. As estatísticas de emprego são eloquentes: 9,8% dos possuidores de um mestrado ou douturado estão desempregados na Grécia, neste ano de 2011. Em 2008, eram, apenas 5,4%.

Os que pegam o caminho de horizontes mais promissores vão engrossar as fileiras da diáspora grega já instalada na Austrália, nos Estados Unidos, ou outros países.

No projeto de reforma universitária, a ministra da educação, Anna Diamandopouloue, leva em conta a questão.

Para Yannis Mitsos, assessor da ministra, o governo está preocupado com o desemprego dos jovens diplomados e sua partida do país, e deseja preparar "melhor os estudantes gregos para o mercado de trabalho".

A reforma, a ser votada em agosto, já foi aplicada na maior parte das nações europeias, e entende alinhar as universidades gregas em ciclos unificados: três anos para a licenciatura, cinco para o mestrado, e oito para o doutorado, permitindo uma equivalência de diplomas europeus, além de tornar as universidades mais competitivas.

A avaliação dos professores deverá, também, ser mais transparente.

Segundo Dionysis Gouvias, professor de pedagogia na Universidade de Rhodes, a reforma poderá, no entanto, agravar a condição dos jovens cientistas e encorajar seu desejo de partir: está prevista a redução do número de postos de trabalho disponíveis, assim como a fusão de universidades regionais.

"Se os jovens doutorandos ficarem na Grécia, poderiam ajudar no desenvolvimento do país", lamenta ele, mas é preciso, principalmente, que seu talento seja reconhecido, uma missão difícil neste período de austeridade e de contração, admite.

Além disso, o êxodo dos diplomandos não será resolvido apenas com uma reforma das universidades, porque o problema da Grécia é, também, estrutural - uma economia ancorada nos serviços e no turismo, sem indústria.

Para Lambrinidis "o mercado de trabalho grego precisa de um número restrito de pesquisadores". Enquanto isto, atolada na crise, a Grécia parece cada vez mais impotente em reter os jovens.

Mas Ioanna faz uma promessa a si mesma: "não quero passar toda a minha vida longe de meu país".