Rebeldes líbios intensificam ofensiva antes do Ramadã

Os rebeldes líbios intensificaram nesta quarta-feira a ofensiva antes do Ramadã, o mês de jejum muçulmano, enquanto seus oficiais buscam ajuda do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e Kadhafi tenta obter mais apoio na Rússia.

Durante o Ramadã, o combate será muito mais difícil pela impossibilidade de comer e beber durante o dia em que, afirmam, será o momento adequado para se tornar um mártir.

A rebelião líbia está agora em Djebel Nefusa para tentar derrubar Trípoli e fornecer aos rebeldes nas montanhas do oeste mais armas e munições, disse nesta quarta-feira em Jado (oeste) o general Omar El-Hariri, membro do Conselho Nacional de Transição (CNT).

"Agora nos concentramos em Djebel Nefusa, a região (libertada do regime) mais próxima de Trípoli", declarou à AFP o general Hariri, encarregado da coordenação do CNT, cuja sede está em Benghazi, reduto dos rebeldes.

"É melhor atacar pela região mais próxima", afirmou o general, destacando que "Bir Ghanam está a 75 km de Trípoli".

Bir Ghanam é o próximo objetivo do front dos rebeldes do oeste que estão atualmente a menos de 2 km deste ponto estratégico no caminho para a capital líbia, controlada pelas forças de Kadhafi.

O general fez essas declarações ao chegar a Jado, vindo de Benghazi para uma reunião com os oficiais rebeldes dos conselhos militares de todas as localidades de Djebel Nefusa. É a segunda reunião deste tipo desde o começo da insurreição.

No front de Gualich (oeste), os rebeldes líbios descansam para a próxima batalha que não sabem se será antes ou depois do Ramadã. O mês do jejum se aproxima e combater sem beber e comer durante o dia será mais difícil. Mas será um bom momento para ser um mártir, afirmam.

A cada dia, o sol castiga um pouco mais as montanhas do oeste da Líbia. As temperaturas chegam aos 45° Celsius. Os corpos e os espíritos dos guerrilheiros estão cada vez mais cansados da batalha que desde fevereiro.

Na França, um general e dois coronéis da rebelião líbia na cidade de Misrata pediram nesta quarta-feira ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, apoio para conquistar Trípoli, segundo o escritor francês Bernard Henri Levy ao término da reunião.

Enquanto isso, o chefe da diplomacia do regime de Muamar Kadhafi estava em Moscou para discutir com os líderes russos, contrários à interferência ocidental na Líbia, uma solução negociada entre Trípoli e os rebeldes.

"Os comandantes dos insurgentes vieram explicar ao chefe de Estado (francês) que a chave da conquista de Trípoli está em Misrata porque os combatentes aí são disciplinados, aguerridos e têm um ponto a seu favor: já conseguiram uma vitória militar", disse Levy à AFP ao fim do encontro com o presidente Sarkozy no palácio do Eliseu, sede da presidência.

A delegação era formada pelo general líbio Ramadan Zarmuh e os coronéis Ahmed Hashem e Brahim Betal Mal. Também esteve presente o principal conselheiro militar de Sarkozy, o general Benoit Puga.

Segundo uma fonte próxima da delegação dos insurgentes líios, os rebeldes de Misrata esperam obter da França uma ajuda equivalente à que Paris aportou aos rebeldes em Yebel Nafusa, região ao sudoeste de Trípoli, onde a França reconheceu no fim de junho ter jogado armas por paraquedas aos combatentes que lutam contra as forças de Kadhafi.

Há uma semana, os rebeldes se preparam para a batalha de Al-Assaba, a 17 km de Gualich, última cidade antes de Gharyane, que abre caminho para a capital. Enquanto isso eles têm repetido como um mantra: "Estaremos em Trípoli antes do Ramadã, inch'Allah!".

O mês do jejum, durante o qual os muçulmanos não devem beber nem comer nada do nascer ao pôr do sol, começa em dez dias e é preocupante pela fadiga, mas segundo o Al-Corão aproxima de Deus.

Segundo o livro sagrado do islã, o Ramadã une os muçulmanos neste ato de piedade. No entanto, os comandantes rebeldes não têm dúvidas de que a guerra vai continuar.

"Se houver combates no Ramadã, lutaremos como sempre, não vamos parar enquanto não libertarmos a Líbia", afirmou o comandante Mojtar Lajdar.

Para os líderes rebeldes, o período de jejum pode deixar os combatentes fisicamente mais fracos, mas ficam mentalmente mais fortes, segundo eles.

"Isto pode ser um pouco mais difícil nas primeiras semanas. O jejum pode nos enfraquecer, mas estamos acostumados. Isso vai nos dar mais força e amor para nos tornarmos mártires", garantiu o comandante da rebelião em Djebel Nefusa, o coronel Lajdar Farnana.

A Otan aguarda se as forçar se Kadhafi vão respeitar a trégua durante o Ramadã, caso contrário continuarão com os ataques.