Grécia: deputados aprovam a aplicação do ajuste e UE abre caminho para ajuda

ATENAS, Grécia - O Parlamento grego aprovou, nesta quinta-feira, a lei de aplicação do ajuste elaborado para evitar a quebra do país, após dois dias de confrontos entre a polícia e manifestantes que se opõem a este plano de cortes e privatizações em massa, que prevê cortes de 28,4 bilhões de euros e uma arrecadação de 50 bilhões em privatizações.

"Ganhamos uma batalha difícil", comemorou o primeiro-ministro socialista, George Papandreou.

A União Europeia (UE) anunciou imediatamente após a votação desta quinta-feira que as condições estavam dadas para desbloquear o dinheiro que evitará a declaração de um default na Grécia, um país da zona do euro.

Trata-se de uma parcela de 12 bilhões de euros de um primeiro plano de resgate de 110 bilhões, aprovado em maio de 2010. Espera-se que os ministros das Finanças da zona do euro decidam em sua reunião deste domingo, em Bruxelas, desbloquear o dinheiro.

Atenas precisa destes recursos para respeitar vencimentos da dívida, em meados de julho, mas a UE e o FMI ameaçavam privá-la desse dinheiro se não aprovasse as medidas de austeridade.

Para aliviar o fardo da dívida pública grega - 350 bilhões de euros, equivalentes a 150% de seu Produto Interno Bruto (PIB) - a Alemanha promoveu a ideia de que os bancos privados credores também ajudem a Grécia.

Algo que parece perto de se concretizar, já que o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, anunciou que os bancos alemães estavam dispostos a renovar empréstimos de 3,2 bilhões de euros em bônus gregos que vencem antes de 2014.

"Consideramos que a Grécia deve ser ajudada (...). Estamos dispostos a fazer isso", disse Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank, maior banco do país. Ele acrescentou que os bancos alemães possuem cerca de 20 bilhões de euros da dívida grega.

A estratégia segue a traçada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy - ele anunciou nesta semana um acordo com os bancos de seu país destinado a rolar por 30 anos o vencimento da dívida grega, que expira em breve.

A questão é delicada, já que precisa ser voluntária, para evitar que as agências de classificação de risco indiquem a operação como um "acontecimento de crédito" ou default, precipitando uma enorme crise na zona do euro (formada por 17 dos 27 países da UE).

O ajuste grego caminha ao lado de fortes medidas de austeridade em outros países europeus, como Grã-Bretanha, Itália e Portugal, que já precisou recorrer a um plano de resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nas ruas, prosseguia nesta quinta-feira a difícil tarefa de limpar o centro de Atenas, convertido na quarta-feira, no segundo dia de uma greve geral de 48 horas, em palco de uma batalha campal que deixou centenas de feridos.

O governo ordenou a investigação da participação das forças de segurança na violência, após a divulgação de imagens que mostravam a polícia colaborando com elementos à paisana armados com bastões para dispersar manifestantes pacíficos.

As imagens da rede de televisão também mostraram um grupo de policiais de bicicleta atirando pequenas pedras e bombas de gás lacrimogêneo contra um café no centro de Atenas.

Reação positiva dos mercados

---------------------------->

Aliviadas pela votação do Parlamento grego, as principais bolsas europeias fecharam nesta quinta-feira em alta: Frankfurt subiu 1,13%, Londres 1,53%, Paris 1,48% e Madri 2,13%.

O euro se fortaleceu, instalando-se acima da barreira de 1,45 dólar.

A votação também forçou a queda dos rendimentos dos bônus a 10 anos dos países mais endividados da zona do euro.

As taxas de juros gregas caíam a 15,609% contra os 15,926% do fechamento de quarta-feira.

As taxas italianas passavam de 4,941% para 4,876%, enquanto as espanholas de 5,564% para 5,436%. Os