Em missão do governo, Lula faz discurso na União Africana 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta quinta-feira em Malabo, na Guiné Equatorial, durante a 17ª Sessão da Assembleia-Geral da União Africana. Lula afirmou que a sua presença como chefe da missão do governo brasileiro para o encontro reforça a importância dada pela presidente Dilma Rousseff em estreitar as relações entre o Brasil e a África.

Convidado especial da União Africana, Lula agradeceu o apoio dos países do continente à candidatura brasileira para a direção da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). "A eleição de (José) Graziano é um trunfo dos países em desenvolvimento e um reconhecimento do crescente papel que desempenham num mundo cada vez mais multipolar", disse.

Lula também destacou a importância do protagonismo dos jovens na vida política do país. "Aprendi nos oito anos que governei o Brasil que, além de investir na melhoria da educação e da oferta de empregos de qualidade para os jovens, o que os entusiasma é a esperança e a confiança de que terão um futuro melhor. Foi o que conseguimos no Brasil ao tratar a juventude não como um problema, mas como uma solução. Criamos um processo virtuoso, de inclusão social e redução das desigualdades, num ambiente amplamente democrático", sustentou. 

O ex-presidente encerrou seu discurso falando sobre a cooperação e a troca de experiência entre o Brasil e a África. "Temos especificidades culturais e trajetórias históricas próprias. Não buscamos modelos únicos nem unanimidades. Nossa força está na capacidade de construir a unidade a partir de projetos soberanos. Mais do que nunca é hora de fortalecer o processo de cooperação solidária entre a África e o Brasil."

No final de sua fala, Lula improvisou, reforçando a responsabilidade dos países desenvolvidos sobre a atual crise financeira global e defendendo que é inadmissível que a África e América do Sul não tenham assentos permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas.