SANAA - A trégua negociada pelo vice-presidente iemenita era respeitada nesta segunda-feira em Sanaa, enquanto o questionado chefe de Estado, Ali Abdullah Saleh, ferido em um ataque contra o palácio presidencial, foi operado em Riad e pretende retornar ao país em duas semanas.
O cessar-fogo, proposto pelo rei Abdullah da Arábia Saudita, foi negociado pelo vice-presidente Abed Rabo Mansur Hadi com o poderoso chefe tribal dos Hashed, xeque Sadek al-Ahmar. As potências europeias pediram aos iemenitas que respeitem a trégua para restabelecer a paz no país.
Durante as negociações do cessar-fogo, dois homens foram mortos depois que atacaram um posto de controle em Sanaa instalado por soldados do general dissidente Ali Mohsen al-Ahmar e assassinaram três pessoas, incluindo um militar. O ataque aconteceu perto da residência do vice-presidente.
Nenhum outro combate foi registrado nesta segunda-feira na capital, mas as avenidas estavam bloqueadas por postos de controle militares ou dos partidádios do xeque Ahmar.
No bairro de Al-Hasaba, onde se concentraram os enfrentamentos, perto da casa do xeque Sadek al-Ahmar, vários prédios públicos e casas foram destruídos.
Em Taez, a grande cidade do sudoeste do país e outro foco da contestação ao regime de Saleh, que está no poder há 33 anos, o clima também era calmo nesta segunda-feira.
As forças de segurança deixaram a cidade e protegiam apenas o palácio de governo. Mas os manifestantes retomaram o protesto permanente.
No domingo, o xeque Ahmar aceitou uma trégua e determinou a saída de seus partidários dos prédios públicos de Sanaa, em troca de um recuo das forças governamentais, a pedido do vice-presidente.
Desde 23 de maio, as tropas oficiais e os partidários armados do xeque Ahmar, que apoiam os manifestantes hostis ao regime, travam combates violentos em Al-Hasaba. No domingo, Mansur Hadi enviou dois emissários ao xeque para propor a trégua.
Os emissários - o chefe da polícia política, general Ghaleb Qamach, e um conselheiro militar do presidente, general Mohamed Qasimi - ofereceram o desmantelamento de todas as posições militares e de segurança recentes nos bairros de Al-Hasaba e Hada, respectivamente nas zonas norte e sul da capital.
Até o momento, várias tréguas foram desrespeitadas pelos dois lados, que trocam acusações sobre o armazenamento de armas.
Ferido na sexta-feira na mesquita do palácio presidencial, Saleh foi hospitalizado no sábado em Riad, onde foi operado com êxito no domingo, segundo fontes sauditas, e pretende retornar ao país em duas semanas.
Os opositores, que festejaram no domingo o que consideram a saída definitiva do presidente, pediram a formação de um conselho presidencial interino para dirigir o país.