ONGs pedem que Síria seja condenada por repressão a manifestações populares

PARIS - Mais de 220 associações de 18 países árabes escreveram nesta quinta-feira aos membros do Conselho de Segurança da ONU pedindo que o órgão "condene o uso excessivo da força" contra os manifestantes na Síria, e aprovem "um acesso imediato para a ajuda humanitária" no país.

"Mais de mil civis morreram e 10 mil foram presos em 16 cidades da Síria. Enquanto a situação piora cada vez mais, o corte dos meios de comunicação imposto em 22 de abril impede uma avaliação mais objetiva das necessidades humanitárias", diz a carta, assinada por associações da sociedade civil dos países árabes, a cujo texto a AFP teve acesso.

"Acreditamos que o silêncio do Conselho de Segurança da ONU passa uma mensagem equivocada e fracassa no sentido de impedir novos atos de violência e violações dos direitos humanos por parte das autoridades sírias", protestam as organizações de Egito, Líbia, Qatar, Marrocos, Iêmen, Síria, Argélia e Arábia Saudita.

Os signatários pedem uma resolução que "condene o uso excessivo da força letal contra os protestos pacíficos na Síria", e reclamam o fim da violência, assim como dos ataques e abusos contra a população civil.

Eles também esperam que tal documento "faça com que as autoridades sírias garantam o acesso imediato da ajuda humanitária" ao país.

"Os olhos do mundo estão voltados para as Nações Unidas, para que tomem uma posição firme contra um governo que usa deliberadamente uma violência homicida contra seu próprio povo", consideram.

Na terça-feira, o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, afirmou que uma maioria de votos começa a "tomar forma" na ONU para condenar a repressão realizada pela Síria, embora exista alguma ameaça de veto por parte de Rússia e China.

De acordo com algumas ONGs e com a ONU, a repressão aos protestos, que começaram em meados de março no país, deixaram pelo menos 850 mortos e mais de oito mil presos na Síria.