EUA: jornalista pode ser obrigado a revelar sua fonte na CIA

Um repórter do jornal New York Times, autor de um livro sobre a CIA publicado em 2006 e vencedor do prêmio Pulitzer, foi convocado por um procurador, em acordo com o Departamento de justiça dos Estados Unidos, para testemunhar contra um ex-agente de inteligência que havia sido sua fonte.

James Risen, que recebeu a intimação na segunda-feira, segundo uma cópia da mesma recebida pela AFP, já afirmou no jornal que se nega a declarar.

"Sempre protegerei as minhas fontes, para mim se trata de um combate pela liberdade de expressão, pela liberdade de imprensa", disse.

O centro do caso é a revelação feita por Risen, no livro "Estado de guerra: a história secreta da CIA e do governo Bush", da existência de uma operação confidencial da CIA sobre as capacidades bélicas nucleares do Irã.

A fonte do jornalista pode ter sido Jeffrey Sterling, um afro-americano de 43 anos acusado em um tribunal federal do estado da Virgínia de ter contado detalhes desta operação. Sterling está detido desde janeiro e pode ser condenado à prisão.

O promotor do caso considera que a convocação de Risen como "testemunha" é "totalmente pertinente" para poder "determinar os fatos diretamente ligados ao caso e à identidade do culpado". Por outro lado ele nega que o jornalista goze de tal privilégio, "nem em virtude da liberdade de imprensa nem em virtude das leis gerais", e argumenta que Risen deve ser convocado a depor sob juramento.

No caso de o juiz validar a intimação, o jornalista pode ser acusado por desacatar ordem judicial. Em 2005, outro repórter do New York Times ficou preso por três meses por se negar a revelar as fontes em um caso parecido.