Oposição iemenita promete intensificar contestação

A oposição iemenita decidiu intensificar a onda de contestação para conseguir a saída do presidente Ali Abdallah Saleh, assim como a pressão de Washington e Bruxelas, enquanto esta segunda-feira foi marcada por novos episódios de violência que deixaram seis mortos e 39 feridos.

Fortes confrontos armados eram registrados de forma intermitente nesta segunda-feira à tarde entre policiais e membros tribais nas proximidades da residência do xeque Sadek al-Ahmar, o mais importante chefe tribal do Iêmen, no norte de Sanaa, segundo testemunhas.

No total, cinco partidários do xeque foram mortos e 35 ficaram feridos, segundo assessores do chefe tribal.

O Ministério da Defesa indicou que "um cidadão foi morto e dois ficaram feridos por tiros disparados por partidários do xeque Ahmar", enquanto a televisão estatal anunciava que dois jornalistas tinham ficado feridos por tiros de membros da tribo contra a sede da agência de notícias governamental Saba.

Os confrontos foram interrompidos durante a noite após uma mediação realizada pelo chefe da polícia política e por um deputado, segundo fontes ligadas ao xeque.

No plano diplomático, os Estados Unidos exortaram Saleh, um aliado na luta contra o terrorismo, a "sair do impasse" voltando atrás em sua recusa em assinar um acordo para uma transição de poder, elaborado pelas monarquias do Golfo, que prevê a sua saída.

"Nós o exortamos a agir e a resolver esta situação", acrescentou Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado.

Saleh deve deixar o poder "imediatamente", lançou, por sua vez, a União Europeia, advertindo que , do contrário, "reexaminará sua política em relação ao Iêmen".

A França denunciou o comportamento "irresponsável e inaceitável" do presidente Saleh, enquanto que o Conselho de Ministros da Arábia Saudita desejou que a transição seja assinada "o mais rápido possível".

Reafirmando a sua recusa em assinar o documento, Saleh alertou domingo à noite a oposição para uma "guerra civil".

"Nossa única opção é intensificar a revolta pacífica e continuar a apertar o nó em torno do regime até sufocá-lo", reagiu Mohammad Qahtan, porta-voz da oposição parlamentar.

"O regime tenta empurrar as coisas para a violência, mas não poderá levar o país a uma guerra", acrescentou.

Os jovens que acampam há três meses na Praça da "Mudança", em Sanaa, também decidiram "intensificar o movimento de protesto e convocar uma greve geral de quatro dias por semana", declarou à AFP um dos líderes do movimento, Wassim al-Qirshi.

"O regime está prestes a cair, e tenta nos levar à violência, mas não daremos chance alguma para que recorra à força", disse.

No entanto, a preocupação era visível nas ruas da capital. As forças do general Ali Mohsen al-Ahmar, que se juntou ao movimento de contestação, controlam o norte e o oeste de Sanaa, cuja Praça da "Mudança", enquanto as forças fiéis a Saleh ocupam o restante da cidade.

A embaixada americana em Sanaa anunciou em seu site o fechamento ao público de seu serviço consular na terça e na quarta-feira após os episódios de violência desta segunda.

Reunidos domingo à noite em Riad, os ministros das Relações Exteriores das monarquias do Golfo "suspenderam sua iniciativa" em razão da atitude do presidente Saleh e pediram aos iemenitas que livrem seu país de "uma catástrofe".

O Iêmen é assolado desde o final de janeiro por uma onda de contestação popular contra Saleh, no poder há quase 33 anos. A revolta custou a vida de 187 pessoas, segundo um registro da AFP.