Seis mortos em ataque da Otan a complexo residencial de Kadhafi

 

 

MISRATA - Seis pessoas morreram e 10 ficaram feridas nesta quinta-feira em ataques aéreos da Otan contra o vasto complexo residencial do ditador líbio Muamar Kadhafi em Trípoli, um dia após os insurgentes romperem o cerco das tropas do regime em Misrata (oeste).

"Três pessoas morreram aqui e três em outro lugar. Dez pessoas ficaram feridas", declarou um funcionário do governo, que exibiu sacos de areia espalhados ao lado de uma cratera em uma rua do complexo de Bab al-Azaziya, onde localiza-se a casa de Kadhafi.

Na madrugada desta quinta-feira, foram ouvidas quatro explosões nesta mesma região.

Na véspera, uma dezena de mísseis atingiram Trípoli, bombardeada quase todos os dias pela Otan, que no fim de março assumiu a direção das operações militares internacionais, sob a égide da ONU, destinadas a deter os ataques contra os civis.

Na quarta-feira à noite, a televisão estatal líbia divulgou imagens do coronel Kadhafi em uma reunião ao fim do dia. São as primeiras difundidas desde um ataque aéreo da Otan em 30 de abril, qualificado pelo regime como uma tentativa de assassinato.

Um filho de Kadhafi, Seif al-Arab, e três dos netos do líder líbio morreram neste bombardeio.

Em Misrata, após dois meses de combates, os rebeldes tomaram na quarta-feira o aeroporto, fazendo os homens de Kadhafi retroceder longe o bastante e deixando a maioria da cidade fora do alcance de seus foguetes.

Segundo Salah Badi, responsável pela ofensiva rebelde na região do aeroporto, as forças governamentais se reuniram em Zliten, cidade de 200 mil habitantes cerca de 50 km a oeste de Misrata.

Badi assegurou que os rebeldes, que já avançaram cerca de 20 km em direção a Zliten, concentrarão agora seus esforços neste frente, ao longo da rota que vai pela costa até Trípoli, cerca de 150 km a oeste de Zliten.

No aeroporto de Misrata, as forças de Kadhafi abandonaram tanques que foram incendiados pelos rebeldes. Nos últimos dias, utilizaram contêineres empurrados por escavadeiras para proteger seu avanço ao oeste, segundo um correspondente da AFP.

No leste, ao menos três foguetes caíram nesta quinta-feira em Ajdabiya, cruzamento estratégico nas mãos dos rebeldes 160 km a sudoeste de Benghazi, "capital" da região controlada pela oposição, sem provocar vítimas.

Nesta zona, que em um momento foi muito disputada, prosseguem os combates esporádicos e a linha de frente se desloca regularmente entre Ajdabiya e a cidade petroleira de Brega, em poder das forças leais a Kadhafi e 80 km mais a oeste.

O chefe do Conselho Nacional de Transição líbio (CNT), órgão político da rebelião em Benghazi, Mustafah Abdeljalil, estava nesta quinta-feira em Londres, onde o primeiro-ministro britânico David Cameron o convidou a abrir um escritório permanente do organismo.

Paralelamente, a União Europeia (UE) anunciou na quarta-feira a abertura de um escritório em Benghazi em breve.

Um primeiro carregamento de ajuda americana chegou a Benghazi como parte dos 25 milhões de dólares destinados no fim de abril pelo presidente Barack Obama para apoiar a rebelião, embora não esteja incluída a entrega de armas.

Neste carregamento havia 10 mil rações halal retiradas das reservas do exército. Outro carregamento estava a caminho, composto por material médico, uniformes, botas, tendas e colete à prova de balas, segundo o departamento de Estado.

Desde o início da revolta, a violência já deixou milhares de mortos, segundo o promotor do Tribunal Penal Internacional, enquanto cerca de 750 mil pessoas fugiram.