Rebeldes líbios tomam o aeroporto de Misrata após novos combates

MISRATA - Os rebeldes líbios tomaram o aeroporto de Misrata nesta quarta-feira, após violentos combates travados com as forças de Muamar Kadhafi, no mesmo dia em que a União Europeia (UE) anunciou a abertura de um escritório em Benghazi (leste do país) para "avançar" nas discussões quanto a ajuda a ser dada aos rebeldes.

Ao mesmo tempo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo imediato, em particular em Misrata, terceira maior cidade do país situada a 200 km de Trípoli e sitiada pelas forças pró-Kadhafi há mais de dois meses.

Os rebeldes tomaram controle total do aeroporto de Misrata, após combates travados na noite de terça e manhã desta quarta-feira. Centenas de insurgentes celebraram o importante avanço nas ruas.

As forças leais a Kadhafi abandonaram os tanques, que os rebeldes incendiaram em seguida. O número de combatentes mortos ou feridos ainda é desconhecido.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse aos deputados europeus que a UE vai abrir um escritório em Benghazi para "avançar na questão da ajuda" e "apoiar a sociedade civil e a oposição representada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT)".

O anúncio foi feito no momento em que o líder do, Mahmud Jibril, se encontra em visita a Washington para reuniões com autoridades americnas.

Em Trípoli, inúmeras explosões foram ouvidas nesta manhã durante quase uma hora enquanto um avião sobrevoava a capital líbia.

A Otan assumiu no fim de março o comando das operações militares da coalizão internacional (iniciadas em 19 de março). Em dois meses, foram executados mais de 2.300 ataques sob mandato da ONU para impedir a investida das forças leais a Kadhafi contra os civis.

O regime líbio acusa a Aliança AtlânticA de tentar por várias vezes matar o coronel Khadafi, em especial durante um ataque aéreo em que morreram um de seus filhos, Saif al-Arab, e três de seus netos. Mas a Otan afirmou na terça-feira que não tem indivíduos como alvo.

"Todos os alvos da Otan são alvos militares", garantiu o general italiano Claudio Gabellini.

No entanto, o ministro italiano de Defesa, Ignazio La Russa, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal Il Messaggero que todo bombardeio sobre um alvo militar em que estivesse o coronel Muamar Kadhafi seria justificado.

A imprensa italiana questiona nesta quarta-feira se Kadhafi de fato ainda está vivo, já que a televisão líbia há pelo menos 10 dias não divulga nenhuma imagem do ditador.

A Itália, que ao lado da França foi um dos poucos países que reconheceu a CNT como representante legítimo do povo líbio, uniu-se ao final de abril à aliança contra o regime de Kadhafi.

Em Genebra, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o cessar-fogo imediato dos combates "em Misrata e em outros locais" da Líbia, clamando pela continuidade do diálogo político.