Egípcios convocam manifestações de 'união' contra violência religiosa

Militantes egípcios que exigem maior liberdade democrática no país convocaram nesta quarta manifestações em massa para promover a união, enquanto aumenta o temor de um crescimento da violência sectária.

Os militantes pediram aos cristãos coptas e muçulmanos que se unam para denunciar divisões religiosas após os atos de violência entre as comunidades que causaram 12 mortes no último sábado, 7 de maio, no Cairo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou-se "preocupado" com os atos de violência religiosa no Egito, nesta quarta-feira em Genebra.

As autoridades anunciaram segunda-feira que já prenderam o homem por trás dos atos de violência, no momento em que a imprensa e o governo acusavam os partidários do ex-presidente Hosni Mubarak de provocar mais tensão.

Na segunda-feira, os jornais e o governo acusaram "contra-revolucionários" e "extremistas" de serem responsáveis pelos conflitos, afirmando que seriam manipulados pelos partidários de Mubarak, deposto em 11 de fevereiro, após semanas de protestos populares contra seu regime.

Para a Aliança de Jovens da Revolução, composta pelos movimentos que iniciaram a mobilização contra Mubarak, "os tristes acontecimentos de Imbaba são uma prova irrefutável da falta de segurança", enquanto, segundo a Coligação, o poder militar não faz nada para compensar a ausência da polícia.

Os coptas, cristãos do Egito, representam entre 6 e 10% dos mais de 80 milhões de egípcios.

Presentes do Egito desde o início do cristianismo, antes da era islâmica, os coptas se queixam da discriminação e da marginalização crescente na sociedade egípcia, formada por uma grande maioria muçulmana sunita.