Presidente mexicano propõe diálogo com líderes da marcha contra violência

O presidente do México, Felipe Calderón, ofereceu, nesta segunda-feira, diálogo aos organizadores da marcha contra a violência de domingo, liderada pelo poeta Javier Sicilia, mas acrescentou que discorda de algumas exigências.

Pedi que "promovam um encontro com os que convocaram a marcha da paz para podermos conversar, ouvir e chagar a um acordo", afirmou o presidente em um evento público.

A marcha terminou no domingo, após quatro dias de caminhada silenciosa que começou em Cuernavaca (centro), com a concentração no Zócalo (praça central), reunindo 85 mil pessoas.

Os manifestantes reivindicaram o fim da violência do narcotráfico, mas também uma reorganização de combate militar aos cartéis.

Javier Sicilia, pai de um jovem assassinado em março com outras seis pessoas, atacou os partidos políticos, considerados responsáveis pela violência, e sugeriu um boicote às eleições presidenciais e legislativas em 2012 caso não sejam retirados os corruptos e os políticos ligados ao tráfico de drogas.

Na última reunião, o poeta também exigiu a demissão do Secretário de Segurança Pública, Genaro García Luna.

"Podemos concordar ou discordar, como de fato estamos em alguns dos pontos apresentados, mas certamente isso não exclui a possibilidade e a responsabilidade de dialogar, de escutar de entender", afirmou Calderón durante cerimônia pública nesta segunda-feira em sua residência oficial.

Pouco depois o PRD (Partido da Revolução Democrática, oposição), o principal partido da esquerda, apoiou a reivindicação de exoneração do Secretário de Segurança Pública.

"Concordo que Genaro García Luna deva renunciar ou ser exonerado por Calderón", afirmou o presidente do PRD, Jesús Zambrano, em uma coletiva de imprensa. "Se houver mudança de estratégia ele não pode estar na frente de novas ações. Os que defendem ou aprovam a atual estratégia devem sair, já que ela falhou".

O presidente mexicano já recebeu Sicilia, que para muitos mexicanos é símbolo da resistência civil contra a violência relacionada ao narcotráfico, que já matou mais de 37 mil pessoas desde o início do mandato de Calderón, no final de 2006.