Líderes do mundo inteiro reunidos para ajudar os países mais pobres

Dirigentes de 48 dos chamados Países Menos Avançados (PMA), de doadores e de instituições internacionais reuniram-se nesta segunda-feira em Istambul, sob o patrocínio do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para construiur um novo plano de 10 anos, de ajuda às nações mais pobres do planeta.

"Não se trata de caridade, mas de um investimento prudente", afirmou Ban durante a cerimônia de abertura desta 4a conferência voltada para os países menos avançados, esforçando-se para convencer os 22 chefes de Estado, 29 primeiros-ministros, 10 vice-primeiros-ministros e 94 ministros presentes em Istambul dos benefícios mútuos da ajuda aos PMA.

"Investir nos PMA pode fornecer estímulos que vão ajudar a impulsionar, a perenizar a retomada econômica e a estabilidade mundiais", defendeu, falando sobre os méritos de populações "jovens e enérgicas" e das atrações oferecidas por verdadeiros "reservatórios de possibilidades inexploradas".

O secretário-geral da ONU destacou vários "setores básicos", para apoiar as nações que têm renda anual por habitante inferior a 745 dólares, e representam 900 milhões de habitantes, ou seja, 12% da população mundial, mas que detêm, apenas, 1% das exportações globais.

Citou, principalmente, o crescimento das capacidades de produção dos PMA, a ajuda e o comércio, o alívio da dívida, os investimentos diretos estrangeiros, e as transferências de tecnologia.

Ban destacou a necessidade de apoiar a agricultura dos PMA, que empregam cerca de 70% da população destes países.

"Os PMA estão confrontados a uma perspectiva real de uma nova crise alimentar e nutricional", preveniu.

O aumento nos últimos meses dos preços dos alimentos, fonte de agitações políticas e sociais, é uma questão crucial para os PMA.

O secretário-geral da ONU também anunciou que as Nações Unidas vão colocar em prática mecanismos de controle das promessas de ajuda feitas por países doadores.

"Recebemos compromissos muito generosos no passado, mas que não tiveram efeitos concretos (...) é por isso que afirmo que a ONU vai controlar relatórios dos progressos feitos e a aplicação dos compromissos", declarou Ban durante entrevista à imprensa.

Os PMA precisam saber exatamente o montante de ajuda que vão receber para elaborar uma "melhor programação de suas políticas econômicas", acrescentou.

O hóspede da conferência, o presidente Abdullah Gül insistiu sobre os perigos de abandonar os PMA à própria sorte.

"A fome, a pobreza, a doença são problemas estruturais. Se não lutarmos contra eles, com grande determinação (...) o mundo será confrontado a perigos graves nos planos políticos e de segurança", declarou.

O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad atribuiu as dificuldades dos PMA aos efeitos devastadores do colonialismo e pediu a constituição de uma comissão de investigação independente, para "calcular os desgates causados" pelos países ocidentais durante o período colonial.

O grupo dos PMA é composto de 48 nações (33 na África, 14 na Ásia, mais o Haiti) economicamente vulneráveis, com grandes dificuldades sociais.

A conferência da ONU é realizada a cada dez anos. A França acolheu as duas primeiras, em 1981 e 1990, e Bruxelas, a terceira, em 2001.