Primeiro-ministro da Tunísia condena declarações sobre golpe de Estado

O primeiro-ministro interino da Tunísia, Beji Caid Esebsi, julgou neste domingo como "perigosas e irresponsáveis" as declarações do ex-ministro de Interior, Farhat Rajhi, que evocou a preparação de um "golpe de Estado militar" se o movimento islamita Ennahda vencer as próximas eleições.

"Farhat Rajhi é um mentiroso e suas declarações são perigosas e irresponsáveis", declarou Esebsi em uma entrevista divulgada neste domingo à noite na televisão nacional.

Em um vídeo publicado no Facebook na quarta-feira à noite, Rahji, muito popular entre os tunisianos, declarou que "se o movimento islamita Ennahda (renascimento) vencer as eleições de 24 de julho, o regime será militar".

Estas declarações provocaram polêmica na Tunísia, razão pela qual o presidente decidiu tirar o ex-ministro de seu cargo como responsável pelo Alto Comitê de Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais.

Rajhi, ex-ministro do Interior do governo de transição, também declarou que "a nomeação, no dia 18 de abril, do general Rachid Amar para o cargo de chefe do Estado-Maior não é mais do que a preparação deste golpe de Estado", afirmou.

Segundo o primeiro-ministro, as declarações de Rajhi têm por objetivo semear "a discórdia e as brigas" e provocar o "adiamento das eleições da Assembleia Constituinte, previstas para 24 de julho".

Esebsi declarou que a data da eleição será mantida "salvo em caso de força maior" e pediu o fim das manifestações, da violência e dos saques que há quatro dias ocorrem na capital e em seus subúrbios.