Missões são dolorosas e fatais, dizem ex-membros de grupo que matou Osama

 

Ex-integrantes do Seals, a força especial da Marinha americana dedicada a missões de alto risco, como a que matou o terrorista Osama bin Laden no Paquistão, disseram na última terça-feira à CNN que as operações são dolorosas e resultam em mortes. "Não há espaço para fanfarrões no Seals", afirmou o veterano Chris Heben, militar com 10 anos de experiência em missões na África, Oriente Médio e Afeganistão.

Para matar Bin Laden no domingo, os Seals foram apoiados por helicópteros do Exército e unidades da Força Aérea, em uma clássica operação de "morte-captura", revelou Dick Hoffman, um especialista que passou mais de 20 anos nesta unidade. Historicamente especializados em missões de reconhecimento no mar, os Seals constituem, junto de seus colegas da Força Delta (Força Aérea) e dos Boinas Verdes (Exército), a ponta de lança da rede de serviços de inteligência dos EUA.

Chris Heben explicou que os soldados do Seals - Sea, Air, Land (Mar, Ar e Terra) - jamais podem comentar os objetivos das missões. Segundo ele, manter o sigilo absoluto é o fator surpresa para o sucesso das operações.

De fato, os Seals denominam a si mesmos como "a equipe silenciosa", pelo anonimato com o qual executam seu trabalho e o silêncio que devem manter sobre suas missões. As atuações de seus membros não costumam ser reveladas, e as identidades destes só passam a ser conhecidas quando morrem, e sem divulgar as causas reais da morte, por razões de segurança.

Deste modo, pouca ou nenhuma informação vazou até agora sobre o homem que disparou contra o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, embora alguns veículos de imprensa começaram a fazer um retrato falado através dos comentários de outros militares que integraram o comando.

Os ex-soldados explicam que se trata com toda segurança de um homem, já que não há mulheres entre os Seals. O herói desconhecido teria entre 26 e 33 anos, já que precisaria ser suficientemente veterano para ter tido tempo de passar nos rigorosos testes exigidos para entrar no Team 6. Além disso, deve ser jovem o bastante para suportar o desgaste físico gerado por este tipo de missão.

Além de não ser informado sobre o alvo durante as missões, um integrante dos Seals precisa ter frieza e perseguir seu objetivo mesmo que se depare com companheiros mortos ou feridos. "Ele precisa ir muito além de apenas ser um guerreiro hábil", explicou Tyler Brandon Webb, um ex-Seal, que fazia parte de missões de combate no Iraque e no Afeganistão.

"Os oficiais têm trabalhado nestas operações no Iraque e no Afeganistão há nove anos e sua experiência no mundo real os prepara", disse Hoffman. Segundo o National Journal, o Exército americano construiu uma residência fictícia igual a de Bin Laden para treinar a equipe em uma base ao norte de Kabul.

Em geral, uma equipe de ataque conta com cerca de trinta membros e 80% de suas missões de "morte-captura" terminam com o alvo vivo. "Contudo, tudo depende do elemento surpresa. Quando se chega de helicóptero, gera-se muito ruído e isso termina geralmente com a resistência do alvo, que então acaba sendo morto", explicou Hoffman.

Um funcionário de alto escalão americano informou que as forças especiais que atacaram o refúgio de Bin Laden estavam preparadas para capturar o líder da Al-Qaeda vivo, caso ele tivesse se rendido. "Ele resistiu durante o tiroteio. Como resultado, os homens em terra o mataram", disse o funcionário, que pediu para não ser identificado.

Osama bin Laden é morto no Paquistão

No final da noite de 1º de maio (madrugada do dia 2 no Brasil), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a morte do terrorista Osama bin Laden. "A justiça foi feita", afirmou Obama num discurso histórico representando o ápice da chamada "guerra ao terror", iniciada em 2001 pelo seu predecessor, George W. Bush. Osama foi encontrado e morto em uma mansão na cidade paquistanesa de Abbottabad, próxima à capital Islamabad, após meses de investigação secreta dos Estados Unidos .

A morte de Bin Laden - o filho de uma milionária família que acabou por se tornar o principal ícone do terrorismo contemporâneo -, foi recebida com enorme entusiasmo nos Estados Unidos e massivamente saudada pela comunidade internacional. Enquanto a secretária de Estado dos EUA afirmava que a batalha contra o terrorismo continua, o alerta disseminado em aeroportos horas depois da notícia simboliza a incerteza do impacto efetivo da morte de Bin Laden no presente e no futuro.