Clérigo radical Al-Aulaqi escapa de ataque americano no Iêmen

SANAA - O clérigo radical Anwar Al-Aulaqi, considerado uma ameaça aos Estados Unidos, escapou na sexta-feira de um míssil disparado por um avião sem piloto americano em uma ação no sul do Iêmen, de acordo com a imprensa dos EUA.

Dois militantes do braço local da rede terrorista Al-Qaeda morreram no ataque, afirmou à AFP um funcionário americano.

O Wall Street Journal e a rede de televisão CBS informaram que o alvo era Anwar Al-Aulaqi, o pregador radical americano-iemenita supostamente ligado ao fracassado atentado de 25 de dezembro de 2009 contra um avião americano que voava de Amsterdã a Detroit.

Testemunhas iemenitas revelaram à AFP que um míssil disparado por um drone matou dois homens na província de Shabwa, ao que parece irmãos e membros do braço local da Al-Qaeda.

E neste sábado, dois universitários que participavam de um protesto para pedir o adiamento dos exames finais foram mortos por disparos das forças de segurança iemenitas em Al Maafer, ao sul de Sanaa, segundo os organizadores da passeata.

As forças de segurança tentaram dispersar os manifestantes, que lançavam pedras, com cassetetes. Depois, abriram fogo contra a multidão, "matando dois alunos e ferindo outras 15 pessoas, das quais nove alunos", explicaram os organizadores à AFP, sem precisar a idade das vítimas.

Às centenas de estudantes que protestavam nas ruas de Al Maafer, povoado da província de Taez, uniram-se milhares de pessoas para se manifestar contra o regime do presidente Ali Abdullah Saleh.

O Centro de Informações e Formação sobre Direitos Humanos confirmou o balanço de vítimas e denunciou em um comunicado "a repressão das forças de segurança a uma passeata pacífica de estudantes".

Os alunos pedem um adiamento das provas de fim de ano, alegando que o calendário das aulas foi prejudicado pelas greves que acompanharam o movimento de rebelião popular no Iêmen, que desde janeiro exige a saída de Saleh.

Também neste sábado, o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) descartou qualquer mudança no plano para combater a crise no Iêmen, o mesmo que o presidente Saleh se recusou a assinar.

Abdelatif al Zayani declarou em entrevista coletiva em Abu Dhabi, onde participou de uma reunião econômica mundial, que o plano da CCG se mantém inalterado e que duas autoridades do Iêmen, uma do partido presidencial e outra da oposição, deverão apresentar seus nomes aos representantes que assinaram o documento.

"Não podemos fazer nada além do que explicar o plano e agregar os nomes das pessoas que irão firmar o acordo", afirmou.

Abdelatif al Zayani havia proposto que o plano fosse assinado em Sanaa por 15 representantes do partido presidencial, do Congresso Popular Geral e por igual número de respresentantes do Fórum Comum, a oposição parlamentar.

O plano do CCG prevê a formação de um governo de reconciliação pela oposição e a saída de Saleh após um mês, em troca de sua imunidade. Uma nova eleição presidencial seria realizada 60 dias depois.