Não houve resistência de Bin Laden durante operação que matou o terrorista, diz jornal

ISLAMABAD - Enquanto a Casa Branca procura oficializar a versão de que a invasão à mansão de Osama bin Laden foi uma operação de grande coragem dos soldados americanos, novos relatos indicam o oposto: na verdade, o confronto ocorrido em Abbottabad foi uma batalha desigual. Fontes oficiais ouvidas pelo jornal New York Times revelam novos detalhes sobre a operação do último domingo que culminaram na morte do terrorista saudita e provêm novos ingredientes ao criticismo sobre a operação das tropas norte-americanas.

A principal informação diz respeito à natureza do conflito travado dentro do complexo de Bin Laden. A Casa Branca defendeu que houve uma "intensa troca de tiros durante toda a operação", mas as fontes ouvidas pelo jornal desmentem a versão.

Segundo elas, somente houve troca de tiros no início da operação, justamente quando os soldados americanos travaram contato com Abu Ahmed al-Kuwaiti, o mensageiro de Bin Laden, na casa de hóspedes da mansão. Esse teria sido o único momento em que os americanos receberam fogo. Al-Kuwaiti, que tentou surpreender os invasores se escondendo atrás de uma porta, acabou morto, juntamente com uma mulher que estava junto a ele.

A partir daí, os americanos não foram mais ameaçados. Eles prosseguiram mansão adentro quando encontraram o irmão de Bin Ladem; pressupondo que ele também estaria armado, atiraram e o mataram. O mesmo ocorreu com Khalid, um filho do terrorista, quando os soldados subiam as escadas. O desfecho da operação ocorreu quando foi alcançado o quarto de Bin Laden, no último andar da mansão. Os americanos viram duas armas - um fuzil AK 47 e uma pistola Makarov - próximas a Bin Laden, então atiraram e o mataram. Eles também feriram uma mulher que estava com ele.

De acordo com as fontes ouvidas pelo New York Times, a falta de congruência dos relatos da Casa Branca ocorre pois as autoridades americanas só gradualmente puderam tomar conhecimento, a partir dos soldados, dos detalhes do curso da operação em Abbottabad. Eles também argumentam que, após a troca de tiros logo no primeiro contato na mansão, os soldados pressupuseram que todos estariam armados. "Eles estavam em um ambiente ameaçador e hostil durante todo o tempo", disse uma das fontes.