Morre o último combatente da 1ª Guerra Mundial

Briton Claude Choules, o último veterano combatente da 1ª Guerra Mundial morreu aos 110 anos, na Austrália, desaparecendo, assim, o último elo vivo com o conflito, que mobilizou 70 milhões de pessoas.

Cego e quase totalmente surdo, Choules, apelidado de "Chuckles", morreu enquanto dormia em seu apart-hotel em Perth. Era o homem mais velho da Austrália.

"Sua passagem marca o fim de um importante capítulo da história mundial", disse a Primeira Ministra Julia Gillard, nesta quinta-feira.

"O sr. Choules era a última ligação conhecida com aqueles que serviram na Grande Guerra. Precisamos agora, mais do que nunca, assegurar que a contribuição daqueles que lutaram na Primeira Guerra Mundial jamais será esquecida".

O porta-voz da Força de Defesa Australiana Gary Booth, ligado à famíla de Choules, descreveu sua morte como o fim de uma era.

"Era uma parte viva da história que, com a sua morte, termina", disse à AFP.

"Em vida, acompanhou duas guerras mundiais, e uma sociedade movida por cavalos e charretes até o homem chegar à Lua.

Com a morte do americano Frank Buckles, no começo deste ano, Choules foi declarado o último sobrevivente de combates de uma guerra que, enquanto durou, deixou 37 milhões de mortos ou feridos.

Outra sobrevivente é a britânica Florence Green, que serviu à RAF, Força Aérea Real, como não combatente. Trabalhou como garçonete e hoje tem 110 anos.

Adrian, filho de Choules, afirmou ao Sydney Morning Herald estar recebendo muitas ligações de pêsames.

"Ele sabia que só se colhe o que se planta, e era um grande exemplo disso. Foi um bom chefe de família".

Nascido em Worcestershire, Inglaterra, Choules serviu à Marinha Real Britânica a bordo do HMS Impregnable, em 1916. Na época, com 15 anos, ele presenciou a rendição da Marinha Imperial Germânica, em 1918.

Também esteve presente quando foi afundada a frota alemã na Escócia.

Depois da guerra, mudou-se para Austrália, passando a servir a Marinha Real Australiana em 1926.

Atuou como oficial de torpedos em Fremantle, oeste da Austrália, na segunda Guerra Mundial. Ainda nesta guerra, foi encarregado de preparar explosivos durante a invasão japonesa.

Choules permaneceu na marinha mesmo depois da guerra, mas, nos últimos anos, trabalhava na indústria de pesca de lagosta em Safety Bay, ao sul de Perth.

Casado por 80 anos com Ethel, uma escocesa que viveu até os 98 anos, ele teve duas filhas e um filho, 13 netos, 26 bisnetos e dois trinetos.

Quando começou a ganhar atenção como uma das últimos veteranos da 1ª Grande Guerra, Choules escreveu uma autobiografia chamada "The Last of the Last", em português: "O último dos últimos", lançada em 2009, fazendo dele o autor mais velho do mundo, publicando o livro aos 108 anos.

As memórias de sua vida também foram imortalizadas num documentário da BBC. "Harry Patch - The Last Tommy", nome do veterano britânico Hary Patch, que morreu em 2009.

Apesar de seus anos de marinha, Choules declarou sua antipatia pelas guerras e pelas pessoas que enviam jovens ao combate. Ele dizia que a 1ª Guerra Mundial representou uma vida dura de privações e tédio marcada por momentos de extremo perigo.