Netanyahu pede a palestinos que reconheçam Israel como Estado judaico

Israel não cederá sobre a segurança nem sobre seu reconhecimento como "Estado-nação do povo judeu", afirmou à AFP o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, a poucos dias de apresentar nos Estados Unidos uma nova iniciativa de paz para responder à oferta feita pelos palestinos.

Em uma entrevista exclusiva à AFP, Netanyahu, de 61 anos, que deve viajar aos Estados Unidos em maio, para apresentar seus "objetivos na esfera diplomática e de segurança" perante o Congresso, em Washington, confirmou que estuda os detalhes da proposta palestina, mas não deu detalhes sobre seu conteúdo.

O processo de paz está completamente bloqueado desde o fim da moratória temporária sobre a colonização na Cisjordânia, em setembro do ano passado. Israel não atendeu ao pedido palestino de renovar o congelamento das construções.

"As colônias são um tema importante que precisará ser resolvido nas negociações. Mas as colônias são um problema secundário, e não o centro do conflito", afirmou Netanyahu.

"O coração do conflito sempre foi a rejeição persistente da direção palestina de reconhecer um Estado judeu, com qualquer fronteira", acrescentou.

"Por que os palestinos simplesmente não reconhecem o Estado judeu? Depois de tudo, nós estamos dispostos a reconhecer um Estado palestino? Por que eles não podem fazer o mesmo se querem a paz?", indagou o premier.

"Esta é a origem da ausência de paz", insistiu.

A outra condição exigida por Israel para um acordo de paz com os palestinos é a garantia de segurança de suas fronteiras.

"Precisamos da presença israelense a longo prazo em toda a fronteira jordaniana. Precisamos de uma barreira física para impedir a infiltração do Irã e de seus agentes", argumentou Netanyahu.

Falando sobre o amplo movimento de protestos que está mudando o mundo árabe, o premier israelense advertiu que a "primavera árabe" pode se transformar em "um inverno iraniano".

"Pode acontecer que a primavera árabe se transforme em um inverno iraniano", disse Netanyahu, indagado sobre as revoltas populares que abalam vários países do mundo árabe.

"O que esperamos ver é a primavera europeia de 1989", acrescentou o primeiro-ministro, referindo-se à queda rápida e espectacular do sistema comunista totalitário a partir do fim dos anos 80 no leste europeu.

Entretanto, destacou, há uma chance de que os acontecimentos na região possam ser aproveitados por Teerã, buscando a repetição da revolução islâmica de 1979 no Irã.

Desde o início das revoltas árabes, os líderes israelenses trabalham com a hipótese de um cenário "iraniano", no qual organizações aliadas ou próximas ao regime de Teerã poderiam tirar partido da situação para tomar o poder ou ganhar mais influência.

"Em um período de caos, um grupo islâmico organizado poderia tomar o Estado. Aconteceu no Irã e pode acontecer também em outros lugares", afirmou Netanyahu.

Atualmente, Israel considera o Irã como a principal ameaça à sua segurança, devido a seu programa nuclear. Teerã defende abertamente a destruição de Israel e apoia grupos radicais como o Hezbollah libanês e o Hamas palestino.

"Se o veneno for eliminado no Irã, ou se seu regime for submetido à mesma pressão que outros regimes da região, então haverá uma possibilidade de paz e progresso", disse Netanyahu, aludindo à ofensiva da coalizão internacional que cumpre mandato da ONU para proteger os civis líbios das forças leais ao ditador Muamar Kadhafi.

"O Irã já se apoderou de mais da metade da sociedade palestina por meio de seu intermediário, o Hamas. Se o regime iraniano cair, não levará muito tempo até que o Hamas também caia de vez", estimou.