Reforma anunciada pelo presidente Buteflika não convence na Argélia

As reformas políticas anunciadas na sexta-feira pelo presidente argelino Abdelaziz Buteflika, entre elas uma revisão da Constituição, decepcionaram os meios de comunicação e a sociedade civil, que consideraram neste sábado que não satisfazem as demandas de uma mudança do "sistema".

As manchetes da imprensa independente ilustram este sentimento: "Longe das expectativas dos argelinos" (El Watan); "Buteflika ignora a oposição" (El Khabar); "Buteflika decepciona" (Le Soir).

O presidente "se destaca como a voz de um sistema que quer manter o controle fazendo reformas que não são (verdadeiras)", analisou El Watan, que suspeita que Buteflika tenta "ganhar tempo".

A Argélia foi em janeiro um dos primeiros focos de contestação no mundo árabe, depois da Tunísia, mas o presidente demorou mais de três meses para se dirigir aos seus cidadãos para, segundo este jornal, não dar a impressão de "ceder" à pressão popular.

Em seu discurso, lido e de cerca de 20 minutos, Buteflika, visivelmente cansado, não fez qualquer referência às manifestações ou aos movimentos sociais que agitam o país há semanas, mas anunciou uma modificação da Constituição de 1996 e uma revisão da lei eleitoral, da lei dos partidos políticos e do código de informação.

Estas reformas serão implementadas antes de um ano, pelo Parlamento ou através de um referendo.

O chefe de Estado, de 74 anos, alterou a Constituição em 2009 a fim de concorrer a um terceiro mandato, de cinco anos, já que até esta data eles estavam limitados a dois. No entanto, Buteflika não falou de seu futuro à frente do país após 2014.