Salafistas desafiam autoridade do Hamas na Faixa de Gaza

 

GAZA - Os salafistas da Faixa de Gaza, uma série de pequenos grupos radicais palestinos, desafiam a autoridade do Hamas, a quem acusam de fraqueza perante Israel e na implantação da lei islâmica.

"Muitos salafistas jihadistas em Gaza são ex-membros do Hamas que abandonaram o movimento para protestar contra sua participação nas eleições, a não aplicação da lei islâmica e sua aprovação das diversas tréguas com Israel", indica um relatório publicado pelo think thank International Crisis Group (ICG).

Estes grupos "se proliferaram aproveitando o período de anarquia provocado pela luta entre a Fatah (partido da Autoridade Palestina) e o Hamas em 2006 e 2007", estima o ICG.

Em entrevista à AFP, Abu Al Bara Al Masri, que se apresenta como um de seus líderes, disse que estes grupos "jihadistas salafistas", que possuem "centenas de membros", são cinco, atualmente, na Faixa de Gaza: Jund Ansar Allah, Jaish Al Islam, Tawhid Wal Jihad, Jaish Al Uma e Ansar Al Suna.

"Não há competição entre os grupos. Pelo contrário, os 'irmãos' trabalham juntos", garantiu.

Durante um tempo, seus objetivos coincidiram com os do Hamas, mas foram se afastando gradualmente após a vitória do movimento islâmico nas eleições legislativas de 2006 e a tomada do poder em Gaza, em junho de 2007.

A tensão entre as duas tendências alcançou seu auge em agosto de 2009, quando o Jun Ansar Allah proclamou um "emirado" islâmico em uma mesquita de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. A repressão das forças do Hamas deixou 24 mortos.

O Tawhid Wal Jihad assumiu o sequestro e o assassinato do refém italiano, e alegou ter sido motivado pela "política repressiva do Hamas". Os sequestradores exigiam a libertação do chefe deste grupo, Hicham Al Sueidani, detido em março.

"Embora nós do Tawhid Wal Jihad não tenhamos nenhuma relação com este sequestro, afirmamos que o que aconteceu é o resultado natural da política repressiva do Hamas e de seu governo contra os salafistas", afirma o grupo em um comunicado.

Este sequestro é o primeiro de um estrangeiro em Gaza desde que o Hamas assumiu o controle.

"Assediado pelas críticas por sua violência durante os confrontos" em agosto de 2009 em Rafah, o Hamas havia decidido tentar "alistar os salafistas jihadistas, com a ideia secreta de quebrar suas pernas", explica o relatório do ICG.

Mas, depois deste desafio a sua autoridade, o Hamas anunciou que "perseguirá" os autores deste "crime odioso" e que "aplicará a lei" contra eles, dando a entender que a repressão contra os salafistas se intensificará.

"Este crime não reflete (...) o clima de segurança e ordem na Faixa de Gaza, e não significa um passo atrás. O governo permanecerá em guarda para garantir a estabilidade e a segurança", declarou um porta-voz do ministério do Interior do Hamas, Ihab Al Ghusein.