G20 chega a acordo sobre 'linhas diretrizes' contra desequilíbrios

Os países ricos e emergentes do G20 anunciaram nesta sexta-feira que alcançaram um acordo sobre as "linhas diretrizes" para avaliar a saúde fiscal dos Estados, em uma declaração conjunta emitida no final de uma reunião de ministros das Finanças em Washington.

Os ministros do G20 também concordaram sobre uma série de parâmetros para indicar falhas no sistema monetário internacional.

O grupo informou ter estabelecido "linhas diretrizes" para avaliar os progressos de cada país e detectar riscos globais após a crise financeira. Tais linhas levarão a uma avaliação aprofundada da natureza dos desequilíbrios e, mais tarde ainda este ano, será criado um plano de ação de "medidas preventivas e corretivas" para atingir o desenvolvimento sustentável.

As "linhas diretrizes" definidas em Washington "estabelecem valores de referência para cada indicador disponível, permitindo identificar os países que serão submetidos a uma avaliação mais profunda, prevista em uma segunda etapa do processo".

O grupo não mencionou ter feito esforços para estabelecer uma lista dos países do G20 que apresentam mais posições de risco.

Havia, no entanto, sete países que queriam um exame mais aprofundado, entre eles França, segundo a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde.

Um membro da delegação do G20 disse à AFP que entre os sete países estão "incluídos os G5" -Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão e Alemanha- e "dois grandes emergentes", sugerindo que seriam China e Índia.

O G20 também abordou o controle de fluxos de capitais no sistema monetário internacional.

"A fim de fortalecer o sistema monetário internacional, concordamos em centrar nossos trabalhos - de curto prazo - sobre: o acompanhamento da evolução da liquidez mundial; a análise por países dos fatores de acumulação de reservas; o fortalecimento da coordenação para prevenir os movimentos desordenados e o presistente desalinhamento das taxas de câmbio", afirmaram os ministros.

Mais cedo nesta sexta, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, em um discurso divulgado no site do Fundo Monetário Internacional (FMI) havia afirmado que os países ricos não têm legitimidade para pedir códigos de conduta nos controles de fluxos de capital.

"Ironicamente, alguns dos países responsáveis pela maior crise desde a Grande Depressão, e que ainda devem resolver seus próprios problemas, estão ansiosos para receitar códigos de conduta para o resto do mundo", disse Mantega, segundo o discurso que pronunciará no sábado diante do Comitê Financeiro e Monetário do FMI.

Mantega, em nome de um grupo de países latino-americanos e do Caribe, saudou o reconhecimento por parte do FMI de que os controles de fluxos de capital podem ser "úteis e necessários".

Ministros de Finanças do grupo de países emergentes e pobres (G24) haviam advertido na quinta-feira que não estão dispostos a perder a sua autonomia sobre o controle dos fluxos de capital.

O FMI deverá a princípio exercer um papel-chave nesse monitoramento mútuo de países ricos e emergentes.

Mas os ministros das Finanças do G24 "manifestaram seu descontentamento com o plano proposto (pelo FMI) sobre o controle de capitais e sua inclusão sob vigilância do Fundo", explicou seu comunicado conjunto.

O G24 inclui Brasil, Argentina, México e Índia, todos eles membros também do G20.

O Grupo não hesitou em pedir mais vigilância sobre os desequilíbrios nos países ricos.

Os ministros também não apoiaram a inclusão das reservas monetárias "sob vigilância do Fundo".

"As reservas desempenharam um papel importante para atenuar o impacto da crise", explicaram em seu comunicado.

A China possui mais de 3 trilhões de dólares em reservas de divisas e obrigações, algo que preocupa países como Estados Unidos pelo potencial de desequilíbrio.