Protestos contra política de segurança atingem mais de 20 cidades do México

Ao grito de "estamos de saco cheio" da violência, e depois do assassinato de cinco jovens, entre eles o filho de um poeta, foram realizados nesta quarta-feira protestos em mais de 20 cidades mexicanas, exigindo que o governo substitua sua estratégia de segurança.

As mobilizações são convocadas depois que em 28 de março, os corpos de cinco jovens, um ex-militar e uma mulher, todos com marcas de tortura, foram encontrados dentro de um veículo em Temixco, nos arredores de Cuernavaca (90 km ao sul da Cidade do México).

Uma das vítimas é Juan Francisco Sicilia, 24 anos, filho do jornalista e poeta Javier Sicilia, colunista dos jornais La Jornada e Proceso e um dos que convocou as manifestações, que foram apoiadas pela Rede pela Paz e Justiça.

"Estamos de saco cheio de vocês, políticos (...), porque em suas lutas pelo poder destroçaram a nação", escreveu Sicilia em uma carta pública divulgada na última segunda-feira e na qual se refere à onda de violência ligada ao crime organizado, à qual se atribuem mais de 35.000 mortos em quatro anos.

O jornalista reuniu-se durante a manhã com o presidente Felipe Calderón, para divulgar alguns detalhes das investigações e oferecer o apoio das autoridades federais no esclarecimento dos assassinatos, informou um dos advogados de Sicilia.

A procuradoria de Morelos, onde ocorreu a chacina, informou na noite de terça-feira que os supostos assassinos foram identificados, e pediu a colaboração da Interpol com o objetivo de emitir um "alerta migratório" para conseguir sua captura caso tente sair do país.