ONU diz que presidente da Costa do Marfim continua negociando rendição

ABIDJAN - O atual presidente marfinense, Laurent Gbagbo, cuja residência está sitiada pelas tropas de seu adversário Alassane Ouattara, em Abidjan, continua negociando sua rendição com representantes estrangeiros, informou um porta-voz das Nações Unidas. "As discussões continuam com a ONU", afirmou Nick Birnback.

As forças do presidente marfinense reconhecido pela comunidade internacional, Alassane Ouattara, iniciaram nesta quarta-feira a ofensiva final contra a residência de Laurent Gbagbo, depois de considerar que fracassaram as negociações para a rendição.

A França, no entanto, negou qualquer envolvimento na ofensiva contra Gbagbo e afirmou que a força Licorne tem a missão de proteger cidadãos estrangeiros.

Dois dias de combates pesados na capital foram suspensos na noite de terça-feira e as negociações entre Gbagbo e as forças de oposição avançaram durante a noite. Mas, com a suspensão das negociações, uma fonte do governo da França informou que artilharia pesada pôde ser ouvida na residência de Gbagbo, enquanto as tropas que apoiam Ouattara se dirigiam à residência.

"Vamos tirar Laurent Gbagbo de seu buraco e o entregar ao presidente da República", disse Sidiki Konate, porta-voz do primeiro-ministro nomeado por Ouattara, Guillaume Soro.

Aliados de Gbagbo descreveram a movimentação como uma tentativa de assassinato, mas as autoridades representantes de Ouattara afirmaram que os soldados receberam ordens para não matar o líder marfinense.

Nesta quarta-feira, Gbagbo negou que renunciaria à Presidência e disse que aceitaria negociar com Alassane Ouattara, que teve sua vitória nas eleições de novembro reconhecida pela Comissão Eleitoral do país e pela ONU.

Um dia após o governo francês informar que o líder marfinense estaria negociando a sua rendição, Gbagbo disse por telefone à TV francesa LCI que aceita uma recontagem dos votos das eleições presidenciais de novembro.