Apresentadora defende Kadafi e pede extermínio de rebeldes

O regime do líder líbio Muammar Kadafi, em crise e sob intervenção internacional, conta com uma fiel aliada na televisão estatal do país. A apresentadora Hala Misrati, do canal al-Raie, lidera o programa noturno "Libya Today", no qual frequentemente defende ideias favoráveis ao governo de Kadafi.

"Acordem da ilusão e do sonho da revolução", disse Hala al-Misrati, segundo o jornal The Wall Street Journal. No programa, a apresentadora acusa os rebeldes de saquear cidades e estuprar mulheres. Os opositores do regime são chamados de "ratos" que devem ser "exterminados" - termos invocados pelo próprio Kadafi, em seus recentes discursos teatrais.

Recentemente, de acordo com o jornal, Hala al-Misrati falou com uma espectadora, que tinha o sotaque de Benghazi e havia fugido para o Egito. A apresentadora pediu que a mulher fosse "transparente" e "franca", e identificasse moradores da cidade líbia que haviam apoiado os rebeldes. A espectadora, identificada como Sarah, citou mais de uma dúzia de nomes e forneceu alguns endereços. "Há ódio contra essas pessoas, elas serão explodidas e mortas", afirmou a mulher que ligou para o programa.

Um dia depois dos primeiros bombardeios da coalizão liderada pela Otan, que iniciaram em 19 de março, Hala al-Misrati e um grupo de manifestantes pró-Kadafi invadiram o hotel em Trípoli onde jornalistas estrangeiros estavam abrigados. Eles tentaram exigir que os repórteres fossem expulsos do país, e só deixaram o hotel após oficiais do governo terem afirmado que procurariam atender às queixas.

Hala al-Misrati não é a primeira apresentadora de TV da Líbia a declarar abertamente seu apoio a Muammar Kadafi. No dia 22 de março, um apresentador foi ao ar na TV estatal com um rifle automático. Ele afirmou que estava pronto para defender seu país a qualquer momento, "dormindo ou acordado", segundo a BBC.

Líbia: de protestos contra Kadafi a guerra civil e intervenção internacional

Motivados pela onda de protestos que levaram à queda os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em meados de fevereiro para contestar o líder Muammar Kadafi, no comando do país desde a revolução de 1969. Mais de um mês depois, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas.

A violência dos confrontos entre as forças de Kadafi e a resistência rebelde, durante os quais milhares morreram e multidões fugiram do país, gerou a reação da comunidade internacional. Após medidas mais simbólicas que efetivas, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a instauração de uma zona de exclusão aérea no país. Após menos de 48 horas, a 21 de março, começou a ofensiva da coalizão, com ataques de França, Reino Unido e Estados Unidos. Dez dias depois, o comando da operação passou à Otan.