Pressionado, Gbago negocia rendição e pede proteção da ONU

 

O atual e contestado presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, negocia no momento sua rendição com a Organização das Nações Unidas (ONU), a quem também pediu proteção. A informação foi transmitida pela agência Reuters, que teve acesso a um documento interno da ONU. Mais cedo, a informação era que Gbagbo já havia se rendido, dado que foi logo corrigido.

A renúncia de Gbagbo ocorre em meio a uma intensa ofensiva das forças leais a Alassane Ouattara, rival eleitoral de Gbagbo nas eleições de outubro de 2010 e que conta com o apoio da comunidade internacional na defesa de sua vitória no pleito. Há dias que Gbagbo vinha vendo seu campo de ação reduzido em meio ao avanço do Exército leal a Ouattara em direção à Abidjan, a capital econômica marfinense. Relatos desta terça-feira davam conta que Gbagbo estaria entricheirado em um bunker da cidade.

Relatos e informações da ONU e diplomacia francesa já indicavam que o grupo de Gbagbo negociava um cessar-fogo e a eventual renúncia do líder. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também emitira um comunicado exortando a renúncia de Gbagbo.

Costa do Marfim: da eleição presidencial a nova guerra civil

Em 28 de novembro de 2010, os eleitores da Costa do Marfim foram às urnas na esperança de escolher o novo presidente para um país que há menos de 10 anos vivera uma violenta guerra civil. No entanto, quatro meses depois, quando o novo governo já poderia estar em plena gestação, o país se encontra dividido entre forças rivais que disputam a vitória eleitoral e, com ela, a liderança legítima da nação.

De um lado está Laurent Gbagbo, presidente desde 2000 e com sede no Sul do país; do outro, Alassane Ouattara, sediado no Norte e com amplo apoio da comunidade internacional. Enquanto a pressão pela renúncia de Gbagbo cresce e o avanço de Ouattara em direção a Abidjan se concretiza, o país se aproxima de guerra civil, na qual dezenas de milhares morreram e milhares deixaram o país.