Congressistas americanos correm contra o relógio para evitar paralisia do Estado

WASHINGTON - Os aliados democratas do presidente Barack Obama e seus adversários republicanos, envolvidos em uma disputa interminável sobre o orçamento 2011, têm até sexta-feira para chegar a um acordo, sem o qual, parte dos serviços estatais pode ficar paralisado.

Apesar das intensas negociações realizadas na semana passada, os republicanos, que são maioria na câmara baixa, não se entendem com os democratas, que dominam o Senado.

Obama pediu que membros dos dois partidos que integram o Congresso americano participem de uma reunião na terça-feira na Casa Branca para tentar um acordo.

"O presidente foi claro: entendemos a necessidade de cortar gastos", disse o porta-voz da Casa Branca Jay Carney em uma entrevista coletiva à imprensa.

Na reunião de terça-feira, Obama "pedirá que os dirigentes cheguem a um acordo definitivo e evitem uma paralisia governamental que seria prejudicial para a recuperação econômica", acrescentou.

Entre os convidados está o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner; o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid; e dois presidentes de comissões, disse Carney.

Pressionados pela ala mais à direita do partido e pelos conservadores do "Tea Party", os republicanos fizeram campanha e obtiveram a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de novembro de 2010 prometendo reduzir em 100 bilhões de dólares a proposta de orçamento do presidente.

Desse valor -calculado a partir do projeto de orçamento 2011 de Obama que nunca foi aprovado- os democratas estão dispostos a aceitar 73 bilhões de corte orçamentário para o exercício 2011, que termina em 30 de setembro.

Sem um acordo de longo prazo, o início do exercício 2011 foi marcado pela adoção de seis leis provisórias de finanças no Congresso, que em várias oportunidades permitiram evitar a paralisia de serviços não-essenciais do governo.

Entre os gastos na mira dos republicanos há programas sociais -em particular na educação- aos quais os democratas dão muita importância.

Se o Congresso chegar a um acordo esta semana sobre os níveis de gastos para o restante do exercício 2011, outra batalha será travada sobre a proposta de orçamento do presidente para 2012.

A definição desta briga é, portanto, determinante, com a proximidade das eleições presidenciais e legislativas de 2012, e estima-se que o déficit deva alcançar cerca de 1,6 trilhão de dólares este ano.