Dois funcionários da Tepco encontrados mortos na central de Fukushima

TÓQUIO - A empresa de energia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da central nuclear de Fukushima, anunciou neste domingo a morte de dois funcionários que eram considerados desaparecidos desde o terremoto e tsunami de 11 de março.

Pouco depois do terremoto, os dois homens, de 21 e 24 anos, foram enviados para fazer uma inspeção no edifício da turbina do reator número 4. Ambos faleceram em consequência de ferimentos múltiplos, segundo a Tepco.

Os corpos foram encontrados na quarta-feira em uma área altamente radioativa e tiveram que passar por uma descontaminação.

Mais de três semanas depois da paralisação dos sistemas de resfriamento da central, o risco de uma catástrofe nuclear segue presente em Fukushima (nordeste do Japão).

As emissões radioativas provocam o temor de uma contaminação extensa e duradoura do meio ambiente.

Um conselheiro do primeiro-ministro japonês reconheceu que serão necessários meses para deter o vazamento radioativo da central de Fukushima, onde os funcionários tentavam fechar neste domingo uma rachadura em um poço que leva a contaminação para o mar.

Na região nordeste do Japão, devastada pelo terremoto e tsunami de 11 de março, 25 mil soldados japoneses e americanos entraram no terceiro dia de buscas de vítimas. Até o momento apenas 167 corpos foram recuperados.

Três semanas depois da tragédia, o balanço ainda provisório registra 12.009 mortes confirmados e 15.472 desaparecidos.

A central Fukushima Daiichi (N°1), próxima do Oceano Pacífico e a 250 km ao norte de Tóquio, foi concebida para resistir a ondas de seis metros, mas não de 14, como foi o caso.

O maremoto posterior ao tremor de 9 graus afogou os circuitos elétricos e o sistema de resfriamento da central.

Quatro reatores registraram um aquecimento perigoso, provocando explosões e liberando fumaça radioativa. A Tepco conseguiu conter o superaquecimento jogando água nas instalações.

O acidente, o mais grave desde a catástrofe nuclear de Chernobyl em 1986, "será uma longa batalha", reconheceu Goshi Hosono, conselheiro do primeiro-ministro Naoto Kan.

"Provavelmente serão necessários vários meses para deter os vazamentos radioativos. O maior desafio são as quase 10.000 barras de combustível usado, cuja retirada levará muito tempo", disse.

O objetivo da Tepco é restabelecer a alimentação elétrica para religar os circuitos de resfriamento dos quatro reatores afetados.

Mas os avanços são lentos. A grande quantidade de água utilizada para resfriar as barras de combustível inundou as salas das turbinas e as galerias subterrâneas, impedindo qualquer intervenção humana.

A tarefa mais difícil da Tepco é retirar a água altamente radioativas que chegou ao oceano por uma rachadura de 20 cm descoberta em um poço conectado ao reator 2.

A primeira tentativa de fechar a rachadura com cimento fracassou no sábado.

A empresa estuda alternativas, como o uso de uma plataforma flutuante para retirar a água radioativa, uma resina sintética para fixar no solo o pó com partículas radioativas ou até mesmo polímeros superabsorventes, que formariam um gel em contato com a água para tentar tapar a rachadura do reator 2.