Serviço secreto israelense sequestra engenheiro palestino na Ucrânia

BERLIM - Um engenheiro palestino, detido atualmente em Israel depois de um desaparecimento misterioso na Ucrânia, foi sequestrado por agentes ucranianos, que atuaram por conta do serviço secreto israelense (Mossad), informa o site da revista alemã Der Spiegel. O caso pode estar vinculado ao do soldado israelense Gilad Shalit, prisioneiro do Hamas desde 2006.

Dirar Abu Seesi, 42 anos, desapareceu na madrugada de 19 de fevereiro em um trem que fazia a viagem entre Jarkiv (leste da Ucrânia) e Kiev, onde deveria se encontrar com o irmão, segundo a revista, que cita "fontes dos serviços secretos ocidentais".

Em um primeiro momento, dois funcionários do sistema ferroviário afirmaram que dois homens obrigaram Seesi a descer do trem. Mas depois ambos se retrataram, o que permite imaginar que sofreram pressões, segundo a Der Spiegel.

A Ucrânia negou envolvimento no incidente e o ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel para pedir explicações.

Desde então, as autoridades israelenses confirmaram que Abu Seesi estava detido para "investigação" em Israel, mas sem divulgar qualquer informação sobre as circunstâncias e as razões do sequestro.

Segundo um informante anônimo da Der Spiegel, Abu Seesi, diretor técnico da única central elétrica da Faixa de Gaza e casado com uma ucraniana, dispõe de informações importantes.

O palestino pode ter informações sobre o soldado Shalit, prisioneiro do Hamas desde 2006. O caso lembra o do israelense Mordechai Vanunu, sequestrado em 1986 pelo Mossad e acusado por Israel de ter divulgado segredos nucleares do país.