Kadafi diz que é adorado pelo povo líbio

TRÍPOLI - "Todo o povo me adora", garantiu o líder líbio, Muammar Kadafi, ignorando a crescente pressão, interna e externa, para que abandone o poder. "Eles me adoram. Todo o povo me adora. Todos me adoram, morreriam para me proteger", disse Kadafi em entrevista às redes de televisão ABC e BBC, e ao jornal The Times de Londres.

"Não há qualquer manifestação nas ruas. Ninguém está contra nós", afirmou o coronel Kadafi, há mais de 40 anos no poder. O líder líbio disse ainda que foi abandonado pelos Estados Unidos, e sugeriu que Washington tem a intenção de ocupar seu país. "Estou surpreso, porque temos uma aliança com o Ocidente para combater a Al-Qaeda, mas agora que estamos lutando contra terroristas eles nos abandonaram". "Talvez queiram ocupar a Líbia".

Kadhafi voltou a afirmar que não pode renunciar, já que oficialmente não é nem presidente nem rei. O líder líbio chamou o presidente americano, Barack Obama, de "um bom homem", mas completou que na sua opinião ele pode estar desinformado. "Os anúncios que ouvi dele devem vir de outra pessoa (...) mas os Estados Unidos não são a polícia internacional do mundo".

Perguntado sobre se recorreria a armas químicas para permanecer no poder, Kadafi afirmou que "nos livramos de tudo isto, são coisas do passado que já demos fim. Jamais usaria tais armas contra meu próprio povo.

A diplomata dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, qualificou as declarações de Kadafi de "delirantes". "Ele ri na frente de um jornalista estrangeiro enquanto massacra o próprio povo. Isto mostra a que ponto não está capacitado para governar e até que ponto está distante da realidade", destacou Rice.