Irã: confrontos em manifestações de apoio a líderes da oposição

Violentos confrontos foram registrados nesta terça-feira no centro de Teerã entre forças de segurança e manifestantes que pediam a libertação de dois líderes da oposição, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karubi, segundo sites dos dois na internet.

Os enfrentamentos ocorreram quando as forças de segurança, maciçamente mobilizadas na capital, tentaram impedir várias manifestações, segundo o site Kaleme.com de Mousavi, destacando a presença de "uma grande quantidade de manifestantes".

Segundo Kaleme e Sahamnews - site de Karubi -, foram disparadas "bombas de gás lacrimogêneo" e houve "ataques maciços" e "particularmente violentos" das forças de ordem contra "pequenos grupos e algumas centenas de pessoas que se concentraram de forma esporádica" ao redor da Universidade de Teerã e da grande praça Azadi.

Vários manifestantes foram detidos durante estes confrontos, segundo outro site da oposição na internet, Rahesabz.

No entanto, o site do jornal governamental do Irã desmentiu a existência de incidentes e destacou que "todas as informações que vêm de vários bairros de Teerã falam de uma situação tranquila e normal".

Os correspondentes da imprensa estrangeira no Irã não estão autorizados a cobrir as manifestações da oposição.

Vários sites oposicionistas pediram aos partidários do ex-premier Mousavi e do ex-presidente do Parlamento, Karubi, que se manifestassem para pedir a libertação dos dois líderes da oposição reformista iraniana.

Esta manifestação, a terceira em duas semanas, foi proibida pelas autoridades, assim como todas as anteriores desde os conflitos gerados após a polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, em junho de 2009.

Mousavi e Karubi foram postos em prisão domiciliar na semana passada pelo governo. Mas segundo pessoas próximas, nestes últimos dias os dois chefes da oposição foram detidos e encarcerados. As autoridades judiciais iranianas desmentem esta informação.

Os dois ex-dirigentes têm sido qualificados de "traidores" do regime islâmico pelos conservadores no poder no Irã, que pediram um "castigo severo" contra eles, depois que seus sites na internet convocaram uma manifestação proibida que reuniu milhares de pessoas em várias cidades do Irã pela primeria vez em um ano.

Na segunda-feira, o poder, que agora qualifica os partidários de Mousavi e Karubi de "contrarrevolucionários" passíveis de severas condenações, advertiu contra qualquer participação neste protesto.

Várias capitais ocidentais criticaram a situação na qual se encontram Mousavi e Karubi.

Os Estados Unidos consideraram "inaceitável" a prisão e a França pediu sua libertação, enquanto a Alemanha pediu que se permita que se comuniquem com a família e tenham direito a um advogado.

O presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, denunciou por sua vez, um "atentado à integridade pessoal dos mais altos representantes da oposição democrática no Irã".

"São temas internos e nenhum país tem o direito de intervir nos nossos assuntos internos", respondeu esta terça-feira o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, em entrevista coletiva.