GB: apoio da ONU é desnecessário para impor zona de exclusão aérea na Líbia

O chanceler britânico afirmou esta terça-feira que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia não requer exclusivamente a aprovação das Nações Unidas, contradizendo diretamente uma declaração feita mais cedo pelo colega francês.

O secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, disse que em condições "ideais" a ação seria determinada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, mas acrescentou que anteriormente a iniciativa aconteceu independente das Nações Unidas.

"Houve ocasiões no passado em que uma zona de exclusão aérea como esta teve justificação internacional clara e legal, mesmo sem uma resolução do Conselho de Segurança", disse Hague à BBC. "Depende da situação no terreno", acrescentou.

Hague admitiu que o governo teria que obter um "aconselhamento legal integral" antes de agir com aliados estrangeiros sem o suporte da ONU, e acrescentou: "certamente seria necessário um nível muito elevado de apoio internacional".

Os comentários de Hague foram publicados horas depois de o novo ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppe, afirmar no Parlamento francês que não haveria zona de exclusão aérea sem uma resolução da ONU.

"No momento em que falo com vocês, nenhuma intervenção militar está prevista", disse Juppe ao Parlamento.

"Diferentes opções estão em estudo - sobretudo a de uma zona de exclusão aérea -, mas eu digo, muito claramente, que nenhuma intervenção será adotada sem uma determinação clara do Conselho de Segurança das Nações Unidas", acrescentou.

O apoio da ONU parece improvável, depois que a Rússia, uma das parceiras da França e da Grã-Bretanha no Conselho do Segurança, sugerir que vetaria qualquer resolução.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, descartou mais cedo planos da Grã-Bretanha de decretar uma zona de exclusão aérea, considerando-os "excessivos".

Susan Rice, embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, intensificou a pressão esta terça-feira sobre o líder líbio Muamar Kadhafi.

"Vamos pressioná-lo economicamente em conjunto com o resto da comunidade econômica", disse Rice à NBC news. "Vamos pressioná-lo militarmente", acrescentou.