Chávez não condena Kadafi e alerta para intervenção dos EUA

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse nesta segunda-feira que não condena o líder líbio, Muammar Kadafi, porque não lhe consta que seja um assassino, e advertiu para uma possível intervenção dos Estados Unidos na Líbia.

Chávez também apresentou a ideia da criação de uma missão internacional para evitar uma guerra civil no país do norte da África. "Todos dizem que Kadafi é um assassino e Chávez também precisa dizer?! Pois não me consta. Nesta distância não vou condená-lo. Seria um covarde se fizesse isto com um amigo de muito tempo, e não sou covarde". "Já os Estados Unidos dizem que estão prontos para invadir a Líbia, e quase todos os países da Europa" condenam a Líbia. "O que querem? O petróleo da Líbia!" - garantiu Chávez.

O presidente venezuelano advertiu que uma intervenção dos Estados Unidos na Líbia seria uma "catástrofe" e qualificou o discurso de Clinton de "muito irresponsável". "Eles (EUA) dizem que estão prontos para apoiar as forças da oposição e que não descartam qualquer opção. Faço um apelo para que atuem politicamente e que não se deixem levar pelos tambores da guerra".

Chavez pediu o envio de uma "comissão de boa vontade" à Líbia, composta por vários Estados, para cessar a matança naquele "país irmão".

O presidente venezuelano afirmou ainda que a situação de Kadafi lembra o que ele viveu em 11 de abril de 2002, quando um breve golpe de Estado o afastou do poder durante dois dias. Chávez foi acusado por opositores de ser um assassino que havia ordenado a morte de cidadãos indefesos durante os confrontos registrados na ocasião.

"Por isso nós preferimos ter prudência e ninguém vai nos chantagear. Nossa linha política é não apoiar nenhum massacre", completou, antes de afirmar que a Líbia é vítima de uma "campanha de mentira como a que aconteceu com a Venezuela em 2002".