ONU apela para a comunidade internacional pressionar Kadafi a respeitar direitos humanos

A alta comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navy Pillay, apelou hoje (28) à comunidade internacional para aumentar a pressão sobre o governo do presidente da Líbia, Muammar Kadafi, sobre o respeito e a preservação dos direitos fundamentais dos cidadãos do país. O pedido de Pillay ocorreu durante a abertura da 16ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

"O Conselho (de Direitos Humanos das Nações Unidas) não deve relaxar sua vigilância sobre a Líbia enquanto a ameaça de violência retaliatória permanece. De fato, o monitoramento dos direitos que estão em risco e da resposta aos clamores das vítimas são as principais responsabilidades do Conselho", disse Pillay. As informações são da agência de notícias da ONU.

Há suspeitas de que durante os 13 dias de protestos na Líbia houve várias ações de violação aos direitos humanos e até crimes contra a humanidade. Existem relatos de bombardeios nas cidades de Trípoli, a capital líbia, e Benghazi, a segunda principal cidade do país. Também há informações de que pessoas foram enterradas vivas. Estimam-se cerca de mil mortos nos confrontos entre manifestantes e forças policiais.

Pillay alertou que os esforços dos manifestantes em defesa da consolidação das mudanças na Líbia não podem ser substituídos por novas ameaças e ações de grupos de interesse poderosos. Segundo a alta comissária, a comunidade internacional tem a responsabilidade de apoiar as reformas democráticas e a preservação dos direitos humanos no Norte da África e no Oriente Médio.

Para a alta comissária, a preservação dos direitos humanos e a consolidação das mudanças nessas regiões dependem, sobretudo, da retomada da credibilidade da população nas instituições do governo. Também é fundamental, segundo Pillay, tomar providências sobre as denúncias de violações dos direitos humanos.

O Brasil é representado na reunião, em Genebra, pela ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Maria do Rosário. As reuniões devem prosseguir até o dia 25.