Primeiro-ministro britânico diz a Kadafi que é 'hora de partir'

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou neste domingo que chegou a "hora de partir" para o líder líbio, Muammar Kadafi, destacando que não há papel para o coronel no futuro do país.

“Todos os acontecimentos enviam uma mensagem clara ao regime: é hora do coronel Kadafi deixar a Líbia. Que saia agora", disse.

Cameron deu tal declaração ao final de uma operação da força aérea britânica (RAF) para retirar 150 civis estrangeiros bloqueados no deserto líbio. Eles foram levados para Malta e passam bem.

Kadafi diz que Líbia está 'calma' e ignora Conselho de Segurança da ONU

Em entrevista por telefone ao canal sérvio Pink TV, o líder líbio, Muammar Kadafi, afirmou neste domingo que a Líbia está "completamente calma", e que as decisões do Conselho de Segurança da ONU sobre o país "não têm valor". A Líbia está "completamente calma e não há distúrbios no país", garantiu Kadafi.

Na mesma entrevista, Kadafi responsabilizou a rede Al-Qaeda pelos "bandos de terroristas" que fazem vítimas no território líbio.

Apesar das declarações do líder líbio, várias cidades do oeste estão "nas mãos do povo e preparam a marcha para libertar Trípoli", informou neste domingo um dirigente do comitê revolucionário da cidade de Nalout.

As Forças Armadas de oposição também assumiram o controle da cidade de Zawiyah, localizada a cerca de 50 km da capital da Líbia, segundo as agências internacionas. Com cerca de 200 mil habitantes, a cidade é uma das mais próximas da capital, onde estão concentradas as forças leais ao ditador Muammar Kadafi.

O governo líbio levou jornalistas para Zawiya na manhã deste domingo, mas a imprensa testemunhou oposicionistas armados montando barricadas. Eles hastearam em edifícios do centro da cidade a bandeira pré-Kadhafi, banida em 1969. Centenas de manifestantes estavam concentrados nas ruas pedindo "liberdade" e "fora Kadafi".

Médicos presentes em Benghazi estimaram que 256 pessoas morreram e cerca de 2.000 ficaram feridas nos protestos contra o regime de Muamar Kadafi nessa cidade do leste da Líbia, disse o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

"Ouvimos dizer que são necessários cirurgiões e ortopedistas nos hospitais de Benghazi, assim como medicamentos para pacientes com doenças crônicas", disse Simon Brooks, que dirige a equipe da CICR.

A rebelião líbia anunciou neste domingo em Benghazi a criação de um "Conselho Nacional" que representa as cidades nas mãos da insurreição, um passo simbólico na esperança de acabar com o regime de Kadafi.