Obama diz que Kadafi deve entregar poder imediatamente

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste sábado que o líder líbio, Muammar Kadhafi, deve deixar o poder e "partir agora", já que perdeu a legitimidade para governar, informou a Casa Branca.

"O presidente disse que quando o único meio para um líder permanecer no poder é o uso da violência contra seu próprio povo, este líder perdeu a legimitidade para governar e precisa fazer o que é adequado: partir".

Obama manifestou sua posição durante um telefonema à chanceler alemã, Angela Merkel, destacou a Casa Branca.

Pouco depois do comunicado de Obama, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, disse que Kadhafi "perdeu a confiança do povo líbio, e deve partir sem mais derramamento de sangue e violência".

"O povo líbio merece um governo que responda a suas aspirações e que proteja os direitos humanos, reconhecidos universalmente".

Na sexta-feira, Obama firmou um decreto congelando contas e propriedades de Kadhafi e de seus quatro filhos nos Estados Unidos, afirmando que o regime líbio "violou as leis internacionais e a decência, e deve ser responsabilizado".

Já Clinton determinou a suspensão dos vistos de entrada nos EUA de vários dirigentes líbios e pessoas ligadas à repressão aos protestos.

"Estamos promovendo uma série de passos rápidos para que o governo líbio preste contas por suas violações dos direitos humanos, e para obter uma resposta forte da comunidade internacional", disse a secretária de Estado.

Paralelamente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas analisava hoje uma série de medidas contra o regime líbio, incluindo acusar o coronel Kadhafi por crimes contra a humanidade na Corte Penal Internacional (CPI)

O projeto de resolução discutido no momento prevê ainda o embargo sobre a venda de armas à Líbia, a proibição de viagens do coronel Kadhafi e o congelamento dos bens do líder líbio, de seus familiares e de vários comandantes militares e ministros do atual regime.

O texto determina ainda a adoção de medidas "para garantir uma assistência humanitária rápida e segura aos necessitados".

Brasileiros que deixaram a Líbia devem chegar neste domingo

Os 148 brasileiros resgatados da Líbia neste sábado devem chegar ao porto de Pireus, a 7 km de Atenas, na Grécia, por volta das 2h de domingo (horário de Brasília). Segundo a Embaixada Brasileira na capital grega, os funcionários da construtora Queiroz Galvão devem retornar ao Brasil a partir da segunda-feira.

De acordo com o primeiro-secretário da embaixada, Gustavo Bezerra, a missão diplomática brasileira trabalha desde a última quinta-feira na montagem da estrutura necessária para a regularização dos funcionários, já que eles deixaram o país africano sem passaportes.

"O trabalho da embaixada vai ser chegar no porto, montar um esquema de assistência consular para emitir um documento chamado 'autorização de retorno ao Brasil'. Esse documento vai permitir que eles entrem na Grécia e, daqui, peguem um voo fretado pela companhia rumo ao Brasil", disse Bezerra.

Ele afirmou ainda que a embaixada trabalha para confeccionar os documentos no menor tempo possível. Ainda assim, a companhia reservou hotéis em Atenas para abrigar seus funcionários enquanto aguardam a regularização. "Acredito que eles passem a noite aqui e, somente a partir de segunda-feira, comecem a retornar", disse o primeiro-secretário.

Além dos 148 brasileiros, o navio que deixou a cidade líbia de Benghazi às 10h deste sábado (horário de Brasília) transporta funcionários da empresa de outras nacionalidades (48 portugueses, 13 espanhóis e um tunisiano).O resgate do grupo por via aérea foi descartado por causa da destruição no aeroporto do Benghazi.

Segundo o Itamaraty, fora o grupo de Benghazi, não há mais brasileiros a serem retirados da Líbia. Alguns poucos preferiram ficar no país africano, por estarem em segurança e com suas famílias, de acordo com a Chancelaria brasileira.

Outros brasileiros que estavam em Trípoli - funcionários da empresa Odebrecht - foram resgatados de avião na quinta-feira e levados para a ilha de Malta, no Mediterrâneo. Também foram retirados da capital brasileiros que trabalharam para a Petrobras e a construtora Andrade Gutierrez.