Rede de abastecimento de alimentos está à beira do colapso na Líbia

ONU também denuncia que muitas pessoas não conseguem deixar o país

GENEBRA - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU advertiu nesta sexta-feira que a rede de abastecimento de alimentos na Líbia corre o risco de entrar em colapso, ao mesmo tempo em que as organizações humanitárias temem que muitas pessoas não consigam abandonar o país.

"A Líbia importa praticamente todos os gêneros alimentícios e a rede de abastecimento está à beira do colapso", afirmou a porta-voz do PMA, Emilia Casella.

A porta-voz informou que as importações de alimentos não chegam mais aos portos líbios e que a violência dificulta a distribuição.

Paralelamente, uma fonte do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que muitas pessoas que desejam abandonar a Líbia estão presas e não conseguem deixar o país.

"Estamos preocupados com o fato de que muitas pessoas que desejam fugir se encontram retidas", declarou Melissa Fleming.

 

Repressão aumenta e ONU teme milhares de mortos e feridos

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou nesta sexta-feira um crescimento "alarmante" da repressão à rebelião que ameaça o regime de Muamar Kadafi, que pode ter deixado "milhares de mortos e feridos".

"Em aberta e contínua violação das leis internacionais, a repressão das manifestações pacíficas na Líbia se intensifica de forma alarmante, com notícias de massacres, detenções arbitrárias, detenções e torturas de manifestantes", declarou Pillay.

"De acordo com algumas fontes, podem ser milhares de mortos ou feridos", acrescentou, no início de uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que vai examinar a situação na Líbia.

Os 47 membros do Conselho se pronunciarão ao fim da reunião sobre um projeto de resolução que pede a exclusão da Líbia deste organismo da ONU, do qual o país faz parte desde maio de 2010.

 

Opositores tomam controle da embaixada da Líbia em Paris

Um grupo de opositores líbios, que se anunciam como "filhos da revolução", tomou o controle da embaixada da Líbia em Paris. "Assumimos o controle da embaixada", declarou uma fonte do movimento, que pediu anonimato, enquanto um cordão policial impedia a entrada no edifício e em particular a entrega de alimentos aos jovens manifestantes.

Os opositores, que chegariam a 30 pessoas, ocupam a embaixada desde a noite de quinta-feira. Eles expulsaram os funcionários do local.

O grupo ameaça cometer suicídio coletivo no caso de intervenção da polícia. Os manifestantes içaram no local a antiga bandeira líbia, anterior à chegada ao poder de Muamar Kadafi em 1969.

"O embaixador perdeu a legitimidade porque se nega a dar apoio ao povo líbio", afirmou a mesma fonte, antes de acrescentar que o objetivo é "libertar" todo o território líbio, incluindo as embaixadas no exterior.

A repressão ordenada pelo ditador Muamar Kadafi aos protestos contra seu regime deixaram 300 mortos, segundo o balanço oficial, mas a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) registrou pelo menos 640 mortes. Outros balanços não confirmados mencionam mais de 1.000 mortos.

 

Primo e assessor de Kadafi renuncia a todos os cargos no governo líbio

Kadaf al-Dam, assessor e primo do ditador líbio Muamar Kadafi, renunciou na quinta-feira a todos os cargos, no momento em que o regime enfrenta uma rebelião popular e a deserção de vários altos funcionários, informou a agência de notícia egípcia MENA.

"Kadaf al-Dam anunciou a demissão de todas as funções no regime líbio para protestar contra a gestão da crise líbia", afirma um comunicado citado pela agência egípcia.

Segundo o gabinete de Kadaf, o primo do ditador, que abandonou o país na semana passada, era responsável pelas relações Egito-Líbia, entre outras funções, e possui uma residência no Cairo.

Ao apresentar a demissão, Al-Dam pediu o "fim do banho de sangue e o retorno da razão para preservar a unidade e o futuro da Líbia", segundo a agência MENA.