Oposição armada controla o leste da Líbia, mas repressão aumenta no oeste

TRÍPOLI - Opositores armados mantêm nesta sexta-feira o controle sobre o leste da Líbia e o regime de Muamar Kadafi tenta sufocar a extensão do movimento no oeste, ao mesmo tempo em que dezenas de milhares de líbios e estrangeiros fogem do país por terra, mar e ar.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá durante o dia em Nova York para discutir medidas de pressão sobre Kadafi, que ignora os apelos para dar fim à brutal repressão dos protestos que, desde 15 de fevereiro, exigem sua renúncia.

O ditador de 68 anos, no poder desde 1969, acusou na quinta-feira os manifestantes de terem vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda e de agir sob o efeito de drogas.

Segundo o jornal líbio Quryna, 23 pessoas morreram e pelo menos 44 ficaram feridas no ataque das forças de segurança contra a cidade de Zawiya (60 km ao oeste de Trípoli), que tem a maior refinaria de petróleo do país.

A rebelião controla o leste do país e outras regiões afundaram no caos. Nas áreas liberadas do poder de Kadafi, os opositores prometem avançar até Trípoli. Muitos países intensificaram as operações de retirada de seus cidadãos da Líbia, em um verdadeiro êxodo.

Desde segunda-feira, 30 mil tunisianos e egípicios retornaram por via terrestre a seus países, informou na quinta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM). A construtora brasileira Odebrecht iniciou a retirada de mais de 3.000 trabalhadores da Líbia, 200 deles brasileiros.

O regime de Kadafi enfrenta um isolamento cada vez maior, com críticas dos Estados Unidos, da União Europeia e dos vizinhos árabes, além de diplomatas e autoridades líbias que renunciaram aos cargos para aderir à revolução.