Governo britânico irá congelar patrimônio bilionário de Kadafi

LONDRES - O governo britânico congelará em breve as contas bancárias do líder líbio Muammar Kadafi e seu patrimônio imobiliário na Grã-Bretanha, avaliado em mais de 20 bilhões de euros, destaca nesta sexta-feira o jornal The Telegraph.

Uma equipe do ministério das Finanças foi encarregada de elaborar a lista das diversas contas bancárias e bens de Kadafi, incluindo uma propriedade avaliada em 11,6 milhões de euros, afirma o jornal.

"A prioridade é tirar os súditos britânicos da Líbia, mas depois estamos dispostos a agir sobre os bens de Kadafi", disse um funcionário do governo ao jornal.

O governo britânico estima que o coronel Kadafi tenha mais de 20 bilhões de euros no país, essencialmente em contas bancárias em Londres, e planeja congelar tudo nos "próximos dias", afirma The Telegraph.

 

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que a aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.