Jordânia: ministro qualifica de "herói" soldado que matou sete israelenses

O ministro jordaniano da Justiça qualificou nesta segunda-feira de "herói" um soldado que cumpre prisão perpétua por ter matado sete estudantes israelenses em 1997.

A declaração foi feita após manifestantes se reunirem em Amã para reivindicar a libertação do soldado.

"Apoio o pedido dos manifestantes de libertação de Ahmad Dakamseh. Ele é um herói. Não merece estar preso", afirmou à AFP o ministro, Hussein Mjalli.

"Se um judeu tivesse matado um árabe, teríamos erguido uma estátua dele em seu país ao invés de prendê-lo", acrescentou o ministro. "Vou continuar a defendê-lo, é minha prioridade", disse Mjalli.

Mjalli (oposição de esquerda), ex-chefe do sindicato de advogados, era advogado de Dakamseh. Ele retornou ao governo de Maarouf Bakhit, formado na quarta-feira.

Por sua vez, a agência oficial Petra citou o ministro: "Dakamseh merece anistia e apenas o rei pode decretá-la".

Em Jerusalém, o Ministério israelense de Relações Exteriores ficou profundamente abalado com o anúncio, informando em um comunicado que "Israel está chocado e recebe as notícias com repúdio".

"Esse pedido é ainda mais grave porque foi feito por um ministro responsável pela lei e pela justiça. Israel pede explicações à Jordânia e deixa claro que espera que o assassino cumpra a pena imposta pela justiça jordaniana", acrescentou o ministério.

Em março de 1997, Dakamseh atirou com uma arma automática contra um grupo de estudantes em excursão em Bakoura, às margens do rio Jordão, na fronteira norte entre Israel e Jordânia, matando sete alunos e ferindo cinco outros, incluindo um professor.

Em Amã, uma manifestação foi organizada nesta segunda-feira por sindicalistas jordanos em frente ao Ministério da Justiça, para reivindicar a libertação do soldado.

Os sindicalistas entregaram um abaixo-assinado ao ministro pedindo "a libertação imediata do soldado Ahmad Dakamseh (...) que deve ser honrado ao invés de sofrer na prisão", segundo uma cópia obtida pela AFP.