Irã: policiais e manifestantes entram em confronto em Teerã

Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo e paintballs em manifestantes que protestavam contra o governo em Teerã sob o pretexto de apoiar as revoltas populares nos países árabes, sites e testemunhas informaram nesta segunda-feira.

Os policiais agiram quando uma multidão de opositores reuniu-se na praça Azadi (liberdade), em Teerã, e começaram a gritar: "morte ao ditador!" - um slogan usado contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad após as eleições presidenciais de 2009.

O Kaleme.com, site do líder da oposição Mir Hossein Mousavi, afirmou que de acordo com "informes não confirmados, centenas de manifestantes foram presos em Teerã".

Não houve confirmação oficial de nenhuma prisão.

Os manifestantes, reunidos apesar de proibição, realizaram os primeiros protestos contra o governo em Teerã desde 11 de fevereiro de 2010, quando ativistas foram às ruas para lembrar o 31º aniversário da Revolução Islâmica.

O site de oposição Rahesabz.net informou que os confrontos também foram registrados perto da Universidade de Teerã e na avenida que liga a praça Azadi à praça Enghelab.

Há informações de que bombas de gás foram lançadas pela polícia enquanto manifestantes gritavam "Ya Hossein, Mir Hossein", um slogan de 2009 em apoio a Mousavi.

O site Rahesabz.net também reportou gritos contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, com gritos de "Ben Ali Mubarak, é sua vez Ali!".

"A polícia também entrou em ônibus parados no trânsito (em uma avenida entre a praça Azadi e a Enghelab) e bateram em mulheres para espalhar medo entre os passageiros", informou o Kaleme.com.

Segundo os relatos, manifestantes em cabines telefônicas e utilizando celulares com câmera também foram alvos da polícia.

Sites e testemunhas informaram que milhares de manifestantes opositores tomaram as ruas de Teerã em apoio às revoltas árabes, apesar da grande mobilização policial.

Alguns colocaram fogo em latas de lixo enquanto gritavam slogans em aparente referência a Ahmadinejad.

Celulares foram cortados e houve blecautes em áreas onde os protestos ocorreram, disseram testemunhas.

Mais cedo, as autoridades rodearam a casa de Mousavi para impedir que ele aderisse aos protestos, os quais apoiadores do regime afirmam terem servido de fachada para manifestações semelhantes àquelas que abalaram as estruturas da República Islâmica em 2009.

Outro líder da oposição, Mehdi Karroubi, está sob prisão domiciliar, de acordo com seu site Sahamnews.org, enquanto o Rahesabz.net informa que a casa do ex-presidente reformista e agora opositor Mohammad Khatami também foi vigiada pelas autoridades.

Enquanto a população iraniana apoia as revoltas na Tunísia e no Egito, o ministro do Interior proibiu nesta segunda-feira os protestos planejados por Mousavi e Karroubi.

Testemunhas e sites afirmam que opositores caminharam inicialmente silenciosamente pela cidade rumo à praça Azadi, sob a mira de policiais.

Policiais em motocicletas, armados com revólveres, bombas de gás lacrimogêneo, armas de paintball e extintores de incêndio foram mobilizados em praças estratégicas para impedir os protestos.

"Alguns policiais perseguiram manifestantes para dispersá-los", disse uma testemunha, descrevendo a cena que teria ocorrido na praça Imã Hussein, onde, segundo ele, havia em torno de 1.000 policiais.

Mais policiais foram mobilizados na praça Haft-e Tir, local que foi palco de protestos contra o governo em 2009.

Em Londres, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou as autoridades "por interromper uma manifestação pacífica".